Alunos propõem manifestação contra a greve da USP

SÃO PAULO - Depois de 45 dias de paralisação dos funcionários e do confronto com a Polícia Militar no campus, cresce na Universidade de São Paulo (USP) um movimento de alunos contrários à greve defendida por uma parcela de seus colegas, por parte dos professores e pelos servidores. Se grevistas fazem assembleias e protestos, esse grupo usa a internet para programar uma manifestação para a tarde de sexta-feira.

Redação com Agência Estado |

Para esta quinta-feira, está prevista uma passeata, no início da tarde, dos favoráveis à greve no centro de São Paulo.

Queremos mostrar o que pensam os alunos da USP de verdade, não isso que está na mídia. Nós não estamos sendo representados, diz Kiko Morente, aluno do 4º ano da Escola de Comunicações e Artes (ECA).

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O convite para o protesto diz: Você está em greve? Nem eu. Então é greve da greve. A ideia, explica Morente, é fazer um flash mob - um protesto rápido, de alguns minutos, combinado pela internet, em que as pessoas se reúnem e tentam não atrapalhar a vida de quem está por perto.

O grupo pretende ocupar a sede do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), que iniciou a greve, e fazer um piquenique. É uma referência ao fechamento dos bandejões, com o que não concordamos, conta Antonio Rodrigues Neto, de 25 anos, que se formou no ano passado na ECA e também organiza o ato. Segundo ele, o protesto, para ter mais impacto, vai durar no máximo uma hora.

Em cinco dias, 5 mil alunos votaram em uma pesquisa online criada por Anderson Valtriani Siqueira, de 24 anos, aluno do curso de Sistemas de Informaçã da USP Leste. Até a quarta-feira, 79,79% são contra a greve. Coloquei no ar e, em duas horas, 200 pessoas já tinham votado. Percebi que tinha de levar a sério.

O estudante então passou a exigir o número USP dos votantes e o e-mail também da universidade. Os resultados mostram que 54% dos que votaram são favoráveis à ação da PM no câmpus, 38% contra e 7% indiferentes.

A Greve

As paralisações na universidade começaram com a reivindicação de aumento salarial dos funcionários no dia 5 de maio. Mas, após o confronto entre a Polícia Militar e manifestantes na Cidade Universitária (9/6), a greve ganhou a adesão dos professores e alunos e apresentou novas reivindicações. A principal delas, consenso entre os três setores, é a renuncia da reitora Suelly Vilela.

Os setores em greve pedem também a reintegração do funcionário demitido Claudionor Brandão, a saída da Polícia Militar (PM) do Campus e um reajuste salarial de 16% - reposição da inflação dos últimos 12 meses (estimada em 6,1%) mais 10% de reposição de perdas anteriores -, além de incorporação fixa de R$ 200. A reitora alega que o orçamento da universidade não suportaria semelhante aumento e afirma que, no momento, a PM está presente apenas no prédio da Reitoria. Aindam segundo a Reitoria, professores e funcionários já receberam o salário de junho com o reajuste de 6,05%.

(Com informações do jornal "O Estado de S. Paulo")

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