Alunos de escolas públicas sentem-se inseguros para disputar mercado Por Lais Cattassini São Paulo, 06 (AE) - Apesar de valorizarem a educação formal e terem planos de melhorar de vida no futuro, estudantes de escolas públicas ouvidos ainda não se sentem seguros ou preparados para concorrer com alunos oriundos de escolas privadas no vestibular. Mesmo os que não têm pretensões de seguir uma carreira universitária, imaginando que assim que concluírem o ensino médio irão direto procurar um emprego, a sensação é de dúvida diante dos concorrentes.

"O que aprendi nos primeiros anos de colégio foi mais importante do que as matérias do ensino médio", afirma Jaqueline de Paula Rocha, de 17 anos. Ela estuda no 3º ano do ensino médio da Escola Estadual Albino César, no Tucuruvi (zona norte de São Paulo).

Para ela, o mais importante que a escola lhe deu até hoje foram os conhecimentos em português e matemática. Quanto ao restante das disciplinas, e principalmente nas que estuda atualmente, a garota não consegue entender sua relevância.

Entre as matérias consideradas menos relevantes, física e química, além de artes, foram as mais lembradas por eles. "Eu sei que o que parece inútil para mim pode ser importante para outra pessoa", completou Isabela Santos, de 15 anos, aluna do 2º ano da mesma escola. "Mas acho que, se eles ensinassem de outro jeito, seria melhor, a gente entenderia porque está estudando e ficaria mais fácil."
Para os alunos de ensino médio da Escola Estadual Prof. Manoel Ciridião Buarque, em Vila Ipojuca (zona oeste), a experiência escolar é importante não apenas para passar no vestibular, mas também para a vida - e por isso, a escola deveria ter um enfoque diferente do atual e bem mais próximo da realidade vivida por eles.

"Sei que tudo o que aprendemos é importante para o nosso futuro", disse Andreson Vinícius Ramos, de 18 anos. O estudante, que faz algumas matérias para terminar o 3º ano, conta que pretende cursar gastronomia. Ele já trabalha em um bufê na cidade e declara que seu aprendizado lá é bem maior do que na escola.

Os alunos consideram importantes os conhecimentos adquiridos nos três anos de estudos, mas não se sentem capacitados adequadamente para ingressar no mercado de trabalho na área que escolheram. Eduardo Gabriel Menezes de Araújo, de 17 anos, que cursa o 2º ano, teme a concorrência. "Ainda não me sinto preparado para o mercado", afirma.

Vivian da Cruz, de 17 anos, é aluna do 2ª ano e também já trabalha há algum tempo. Ela atualmente é funcionária de uma loja no centro e comenta que amadureceu por causa de suas experiências profissionais: "Mudei muito depois que comecei a trabalhar, mas sei que é na escola que devo aprender mais."

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