Depois de professores e funcionários da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) terem se posicionado em assembléia a favor da permanência do reitor Ulysses Fagundes Neto no cargo nesta semana, estudantes fazem amanhã um plebiscito nos cinco campi da instituição no Estado sobre a renúncia do reitor. Fagundes Neto é investigado pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Cartões Corporativos por irregularidades no uso de seu cartão.

Os 16 mil alunos responderão "sim" ou "não" às perguntas "Você concorda com a permanência do reitor?" e "Você concorda com os gastos feitos pelo reitor no cartão corporativo?". A votação será feita com cédulas e urnas e controlada com listas de presença com nome e número de matrícula dos alunos, nos campi São Paulo, Guarulhos, Diadema, São José dos Campos e Baixada Santista.

O coordenador-geral do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Unifesp, Tiago Cherbo, diz que a votação não se sobreporá, no entanto, ao posicionamento já assumido pelos universitários em assembléia-geral no dia 16, a favor da renúncia de Fagundes Neto. "O plebiscito terá uma função consultiva, para medir a opinião dos estudantes e mantê-los mobilizados", explica. "Mas a decisão que vale é aquela tomada em assembléia."

O resultado do plebiscito, no entanto, pode colocar o pedido de renúncia de novo na pauta da próxima assembléia estudantil, marcada para amanhã, às 18 horas, no campus São Paulo da universidade. A pauta é livre, desde que o assunto sugerido tenha relação com as denúncias contra o reitor. "Tudo o que os estudantes propuserem pode ser colocado em discussão e votação", diz Cherbo. A ocupação do prédio da reitoria, já descartada em duas assembléias, também pode voltar ao debate. "A ocupação é uma decisão de massa. É difícil prever os rumos do movimento estudantil."

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