Aluno fica menos de 4 horas por dia na escola, diz estudo da FGV

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Os alunos com idade entre 4 e 17 anos ficam em média 3,8 horas por dia na sala de aula no Brasil, segundo estudo do economista Marcelo Neri, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que defende mudança no programa Bolsa Família para melhorar a qualidade de ensino no Brasil. O Distrito Federal aparece em primeiro lugar na lista da FGV, com 4,3 horas diárias. O Acre teve o pior desempenho, onde os jovens com idade entre 4 e 17 anos permanecem apenas 3,3 horas na sala de aula.

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De acordo com a FGV, São Paulo é o segundo do ranking nacional, com 4,2 horas, e o Rio de Janeiro é o terceiro colocado, com 4,1 horas.

"O jovem brasileiro fica muito pouco na sala de aula, não há dúvida", disse Neri a jornalistas após apresentar a pesquisa Tempo de Permanência na Escola, feita com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2006. Na África do Sul, por exemplo, essa média é de quase o dobro: seis horas diárias.

A pesquisa revelou também o perfil do jovem brasileiro que fica mais tempo na escola: sem filhos, pertence aos 20 por cento dos mais ricos do país e mora nas grandes metrópoles, em especial no Sudeste brasileiro.

EFICÁCIA DO BOLSA FAMÍLIA

O levantamento da FGV questiona ainda a eficácia do programa Bolsa Família do ponto de vista educacional.

Segundo Neri, a pesquisa mostra que o tempo na escola não aumenta com o pagamento do benefício. O tempo médio na escola de uma criança entre 7 e 14 anos, faixa beneficiada pelo Bolsa Família, é de 4,2 horas diárias, enquanto aqueles que recebem ajuda do governo ficam em média 4,1 horas por dia na sala de aula.

Os indicadores de matrícula e presença na escola são iguais nesta faixa etária para quem recebe e quem não integra o programa Bolsa Família. No entanto, os jovens beneficiados têm uma jornada escolar inferior aos que não têm direito ao benefício.

"Do ponto de vista social, não tenho a menor dúvida do sucesso do bolsa família. Ele é um programa importante para distribuir renda no Brasil", afirmou Neri.

"Mas do ponto de vista educacional acho que ele já está chegando ao seu limite, está batendo com a cabeça no teto. É preciso aperfeiçoar o programa que está se tornando obsoleto", disse o pesquisador, que defende adoção de metas qualitativas para a concessão do benefício.

O ministro da Educação, Fernando Haddad, admitiu que o jovem fica pouco tempo na escola e destacou que o governo está tomando medidas para ampliar a permanência na escola.

"Cerca de quatro horas é insuficiente. Por isso sou francamente favorável ao segundo turno sob responsabilidade da escola", disse Haddad ao citar o Fundeb e o Programa Mais Educação como ferramentas de estímulo educacional.

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier; Edição de Maria Pia Palermo)

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