Aluguel mais caro de São Paulo é de cortiço

SÃO PAULO - Moradias antigas, a maioria dos anos 30 e 40, os cortiços têm banheiros coletivos, cozinhas no quarto e servem de casa para pessoas com renda em torno de R$ 700.

Agência Estado |

Mesmo em condições precárias, os moradores dos cerca de 2 mil imóveis que funcionam como pensões informais e estão espalhados pelos dez distritos das Subprefeituras da Sé e da Mooca, na cidade de São Paulo, pagam o mais alto valor de aluguel por m² da capital paulista.

Por cômodos com tamanho médio de 10 m², os habitantes de cortiços pagam em média R$ 28 por m² na Subprefeitura da Sé, na região central, e R$ 21 na Subprefeitura da Mooca, na zona leste.

Segundo dados do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), o valor mais alto de aluguel no Município é cobrado na região sul, nos bairros de Jardins, Moema e Morumbi, entre outros, onde o m² de um apartamento de quatro quartos sai por R$ 23.

O aluguel dos cortiços nunca perdeu a vitalidade. Ele atende pessoas sem acesso ao mercado formal, que não têm fiador nem carteira assinada para alugar uma casa e precisam morar no centro, perto de onde estão empregos e serviços sociais, explica o secretário executivo do Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos, o arquiteto Luiz Kohara, que vai defender neste mês tese de doutorado na Universidade de São Paulo sobre os cortiços em São Paulo.

Opções baratas de residência desde o fim do século 19, quando a capital tinha pouco mais de 20 mil habitantes, os cortiços respaldaram o desenvolvimento econômico da metrópole, garantindo aluguel barato para imigrantes europeus que chegavam para trabalhar nas lavouras de café e, posteriormente, nas indústrias.

No começo do século passado, metade dos cerca de 400 mil moradores de São Paulo vivia em habitações coletivas. Na Subprefeitura da Sé, o valor médio do aluguel é de R$ 282,26; na Subprefeitura da Mooca, de R$ 214,45. E se exige fiador, fora impostos e documentos.

Meu marido trabalha em um restaurante do centro como cozinheiro. Não vale a pena ter casa porque um dia, quem sabe, podemos voltar para o Piauí, diz Marta Barros de Souza, de 18 anos, que veio de D. Pedro II para São Paulo há dois anos. Ela paga R$ 320 por um pequeno quarto em um cortiço na Rua Conde de São Joaquim.

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