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Alternativas para falta de Molibdênio são muito mais caras e menos eficazes, diz médica nuclear

SÃO PAULO ¿ As alternativas apontadas pela classe médica para minimizar os prejuízos à saúde dos pacientes por conta da falta de Molibdênio são ¿medidas de desespero¿ mais caras e menos eficazes, de acordo com a médica nuclear do Hospital Sírio Libanês Mariana Ruiz. Em reportagem publicada na quinta-feira, o Último Segundo informou sobre a escassez desta substância radioativa, que já http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2009/07/30/200+mil+pacientes+ficam+sem+atendimento+no+brasil+por+falta+de+substancia+radioativa+7572989.htmldeixou mais de 200 mil pessoas sem atendimento no Brasil nos últimos dois meses.

Nara Alves, repórter do Último Segundo |

O Molibdênio é a matéria-prima do Tecnécio, utilizado na cintilografia . Com a falta da substância, hospitais públicos e privados estão tendo de diminuir o número de exames, selecionar pacientes e realizar exames alternativos na tentativa de diagnosticar o mais precocemente possível doenças como câncer. Para a médica nuclear, não há substituto para a cintilografia. Outros exames são complementares. Um não substitui o outro, ressalta.

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Representação de uma imagem em falsa-cor de uma secção do cérebro humano, baseada em cintilografia, em tomografia de emissão de positrões.
Representação de uma imagem do cérebro
humano baseada em cintilografia
Para pacientes oncológicos, uma opção à cintilografia óssea seria a ressonância. A médica nuclear alerta, no entanto, que a cintilografia verifica, em todo o corpo, a função dos órgãos, enquanto que a ressonância não vê o mesmo. A cintilografia revela se há metástase três ou quatro meses antes da ressonância e da tomografia porque primeiro o osso tem alteração de função e, depois, da forma, e a tomografia só vê a forma, explica. Além disso, uma ressonância em todo o corpo custaria cerca de três vezes mais, dependendo do lugar. Com a cintilografia, se o médico captar alteração na costela direita, ele faz um exame dedicado, uma tomografia, exemplifica.

Para pacientes cardiológicos, outros exames podem ser realizados, como o ecostresse, o ergométrico, o ecocardiograma e a tomografia. Se um paciente que faz o ergométrico, corre na esteira monitorado com eletrocardiograma e tem alteração, o médico faz uma cintilografia do miocárdio, conta. Se o paciente deixar de fazer a cintilografia, o médico estará deixando de avaliar o paciente adequadamente, segundo Mariana Ruiz.

Outra opção analisada pelo governo para contornar a crise do Molibdênio é a substituição do material por Tálio e Gálio . A médica nuclear conta que essas substâncias eram utilizadas no passado. Estamos voltando atrás, lamenta. O Tálio era usado para avaliar doenças do coração e o Gálio fazia o mapeamento do corpo para identificação de tumores. São mais caros, mais demorados e geram imagens menos nítidas. São precursores e grandes substitutos nesse período de crise, avalia.

Em reportagem do jornal "The New York Times" publicada pelo iG no dia 24 de julho , s em o Molibdênio, a qualidade do sistema de saúde retorna ao que era nos anos 1960.

Entenda a crise do Molibdênio

O que é e para que serve o Molibdênio? O Molibdênio-99 é a substância radioativa matéria-prima para a produção do Tecnécio-99m, utilizado em mais de 80% dos exames na medicina nuclear. Um dos principais é a cintilografia, que permite ao médico visualizar a presença de tumores em tecidos e órgãos, além de obstruções em artérias. Por isso, é muito utilizado no diagnóstico de câncer e doenças cardíacas.

Por que está faltando? Em 14 de maio, o reator canadense que produzia todo o Molibdênio consumido no Brasil fechou. Este reator fornecia também para diversos países do mundo. O Brasil passou, então, a importar da Argentina um terço do material necessário para suprir a demanda nacional. O governo estuda, agora, como e de onde comprará quantidade suficiente da substância, mas o cenário não é promissor a curto prazo, já que a crise é mundial.

Como é feita a distribuição no Brasil? Enquanto a situação não é normalizada, o governo distribui o Tecnécio de maneira proporcional para a rede pública e privada. Isto é, hospitais do Sistema Único de Saúde sofrem com o mesmo corte de 60% do material que clínicas particulares, embora o próprio governo admita que esse sistema seja injusto. Isso porque há exames alternativos, mais onerosos, que poderiam ser feitos por pacientes com maior poder aquisitivo. O que faria com que mais pacientes do SUS pudessem se beneficiar da substância disponível no País.

Como eu sei se fui prejudicado pela crise do Molibdênio? A falta do Molibdênio prejudica apenas a realização de diagnósticos. Os tratamentos, como radioterapia e quimioterapia, não são afetados pela crise de escassez do material. Portanto, apenas pessoas que receberam orientação médica para realização de exames com o intuito de diagnóstico de doenças é que correm o risco aguardar meses ou terem seus exames cancelados.

Fui prejudicado. O que faço? Se você teve um exame cancelado ou adiado por causa da falta de Molibdênio, deve imediatamente entrar em contato com seu médico e informá-lo sobre o problema. Há pessoas que têm condições de esperar, como aqueles que fazem exames de rotina. Há pacientes que podem substituir um exame por outro que não utilize o material radioativo. E há os casos mais urgentes, que devem ser tratados como prioridade por hospitais e laboratórios. Para garantir que isso seja feito, o paciente pode entrar com uma ação de pequenas causas na Justiça ou acionar o Procon.

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