Alta-costura Chanel e Lacroix: diga isso com flores!

Os estilistas Karl Lagerfeld (Chanel) e Christian Lacroix optaram pelas flores em suas criações para o próximo verão, como se, com isso, pretendessem conjurar a crise.

AFP |

No segundo dia de apresentação das coleções, Chanel preferiu um cenário mais íntimo do que o "Grand Palais" onde a Maison já havia realizado seus últimos desfiles. Foi escolhida uma sala mais próxima de sua sede histórica, rua Cambon (Ie), transformada em uma verdadeira caixa de flores em papel branco. Como nos salões da Casa no tempo de "Mademoiselle", as modelos desciam de uma grande escada. Percorriam, então, a passarela instalada entre pequenas mesas redondas em torno das quais se instalavam os convidados.

Karl Lagerfeld encantou o público com saias curtas, plissadas, vestidos apenas aquecidos por paletós curtos, capas pequenas desenhando os ombros como uma armadura ou finos casacos com golas comportadas.

Pétalas se dispersam sobre a musselina transparente, com a "guipure", também, semada de flores; plumas compõem um vestido branco.

Os convidados aplaudiram os leggings acompanhados de vestidos-túnica bordados de cristal e paetês.

O preto interrompe apenas esta monocromia, contentando-se em destacar uma parte da silhueta. Paetês também pretos marcam o talhe como um cinto, bordados de azeviche pontuam os vestidos.

Flores e guirlandas de ramos de flores brancas estão nos cabelos das silhuetas graciosas das jovens.

"É emocionante", comentou o criador de bordados François Lesage cujo ateliê contribuiu muito para dar charme à coleção.

"Esses vestidos podem ser criados em todas as cores mas eu gosto deles como se fossem uma folha branca", explicou Karl Lagerfeld ao final do desfile. "Tentei encontrar uma interpretação gráfica, linear, clara, a página em branco, o ponto zero e parti daí", acrescentou.

"São tweeds completamente renovados, com galões minúsculos, apenas visíveis, é verdadeiramente o luxo que é preciso olhar de perto", disse Karl Lagerfeld.

Nos modelos Christian Lacroix também, os detalhes deslumbraram. Bordados ou cascatas de flores, galões de prata, pequenos babados plissados, motivos recriados em paetês, passamanarias preciosas.... "a iliminura, a delicadeza, isso vem com a idade também", disse o estilista rindo. Destacou ter tido "vontade de empregar todas essas pequenas coisas, muito, muito delicadas".

Os cabelos puxados em coques, grandes brincos prateados nas orelhas, as mulheres usam vestidos curtos abaulados, saias curtas plissadas em pequenos quadrados, vestidos baby-doll em tule cinza pálido, ou em forma de trapézio, em seda preta bordada com uma flor ou ainda listrados em preto e branco; a preferência é o tule bordado.

"Dizem sempre: é a crise, a bainha desce. Mas não! Amo as pernas, os famosos compassos dos quais falava (o cineasta François) Truffaut, que fazem a medição do planeta", disse o estilista.

As flores explodem nos boleros ou bustiês em tafetás, num ombro, ou descem em cascata púrpura num vestido longo.

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