Alta do real torna mais difícil exportação de milho do Brasil

Por Roberto Samora SÃO PAULO (Reuters) - As exportações brasileiras de milho, que já andavam cambaleantes nas últimas semanas, devem ficar ainda mais difíceis com a valorização do real frente ao dólar, disseram fontes do mercado.

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Nesta quarta-feira, o dólar caiu abaixo de 2 reais pela primeira vez desde outubro de 2008.

As exportações de milho do Brasil em geral dependem bastante do câmbio --um real mais forte frente ao dólar diminui a competitividade do produto, que também é altamente demandado pelas cadeias produtivas de carnes do país.

"Se de um lado estamos sendo beneficiados pela valorização no mercado internacional, de outro tem o câmbio, e os preços em reais não estão mudando", afirmou João Birkhan, coordenador do Centrogrãos, central de comercialização dos produtores de Mato Grosso.

Segundo ele, ao valor atual de 12 reais por saca de 60 kg, preço verificado em várias praças de Mato Grosso, "não fecha a conta" para a exportação do produto mato-grossense, cuja origem está distante dos portos exportadores.

O preços do cereal na bolsa de Chicago estão acima de 4 dólares, patamar historicamente elevado, mas o câmbio é um dificultador mesmo no Paraná, o maior produtor de milho do Brasil, que está mais perto dos portos.

"Está terrível, o câmbio não está ajudando", afirmou um corretor paranaense, que pediu para não ser identificado.

As exportações de milho do Brasil tendem a ganhar força no segundo semestre, quando os embarques de soja são menores, o que libera mais espaço nos portos.

Mas, segundo Birkhan, as negociações antecipadas de milho de Mato Grosso, que responde por boa parte das vendas externas do país, praticamente não ocorrem neste ano.

Para ele, enquanto não forem realizados leilões de prêmio de escoamento do governo, com possibilidade de exportação, não devem sair negócios, considerando as atuais condições de mercado.

Entre o final do ano passado e o início deste ano, as exportações brasileiras tiveram um ritmo melhor, não só porque as vendas contavam com ajuda dos prêmios de leilões anteriores, mas porque o câmbio estava mais favorável.

Em janeiro, o Brasil chegou a exportar 1,3 milhão de toneladas. Mas em maio, de acordo com a programação de navios nos portos brasileiros, o país deverá exportar apenas cerca de 180 mil toneladas de milho, contra 404 mil toneladas em abril.

No acumulado dos quatro primeiros meses do ano, o Brasil exportou 2,9 milhões de toneladas de milho, contra 1,9 milhões de toneladas no mesmo período de 2008.

OFERTA HÁ

Birkham destacou que, se o mercado estivesse favorável, haveria boas chances de vendas externas, pois a segunda safra de Mato Grosso está muito boa, com as lavouras recebendo mais chuvas do que o normal.

"A safrinha está uma coisa, não teve problema de chuva."

No Paraná, apesar de o tempo não ter sido satisfatório em 2008/09 --entre a safra de verão e a de inverno, a quebra é estimada em 3,5 milhões de toneladas--, há estoques da temporada anterior.

"Estamos tentando identificar quais são as reais quebras", afirmou Flávio Turra, da gerente técnico e econômico da Ocepar (Organização das Cooperativas do Paraná), referindo-se à safrinha, cuja colheita já atingiu 10 por cento da área semeada.

De acordo com a consultoria AgraFNP, o Brasil deve fechar a safra 08/09 com estoques finais de ao menos 10 milhões de toneladas. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima a safra 08/09 em 51,3 milhões de toneladas, ante um recorde de 58,6 milhões de toneladas em 07/08.

(Edição de Marcelo Teixeira)

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