Um avanço de 93,4% na linha outras despesas, que saiu de R$ 715 milhões no primeiro semestre de 2008 para R$ 1,384 bilhão no mais recente balanço, afetou o resultado operacional da Caixa Econômica Federal (CEF) no primeiro semestre deste ano e, por consequência, seu lucro líquido. O vice-presidente de Controle e Risco da Caixa, Marcos Vasconcelos, explicou que estas despesas sofreram três impactos principais.

Um deles é que o banco teve de provisionar R$ 374 milhões para reservas trabalhistas, contra R$ 77 milhões no primeiro semestre de 2008.

Outra explicação é que a Caixa incrementou em R$ 216 milhões as provisões para planos econômicos neste semestre, contingências estas que representavam R$ 78 milhões em período correspondente de 2008. Por fim, para atender às novas normas contábeis do mercado brasileiro, a Caixa começou a reconhecer em seu balanço despesas com benefícios pós-emprego, a grande maioria representada por planos de saúde de aposentados. Desta forma, foram contabilizados R$ 303 milhões na linha outras despesas.

Estes gastos adicionais acabaram por afetar o resultado operacional do banco, que caiu 45,2% no primeiro semestre de 2009 ante janeiro e junho de 2008, para R$ 1,216 bilhão. No período, o lucro líquido da Caixa caiu 54,5%, para R$ 1,158 bilhão, conforme balanço divulgado hoje. No segundo trimestre, quando o ganho líquido foi de R$ 706 milhões, viu-se um avanço de 56,2% no confronto com os três meses imediatamente anteriores. No material entregue durante entrevista com jornalistas, o banco não apresentou os dados do segundo trimestre de 2008 para comparação.

Os executivos da Caixa enfatizam que a instituição conseguiu chegar a um desempenho satisfatório em seu balanço, a despeito da queda da taxa Selic (juro básico da economia brasileira) e, por consequência, das taxas de juros praticadas pelo banco. Eles também citaram que o banco passou a trabalhar em um contexto de spreads menores, com queda de 14,4% de seu próprio spread bancário entre junho de 2008 e o mesmo mês de 2009. "O resultado se deu mesmo num contexto onde o custo de captação e as provisões tiveram de subir", destacou o vice-presidente de Finanças da instituição financeira, Márcio Percival, destacando o forte incremento das operações de crédito da companhia, o que levou o saldo a superar os R$ 99 bilhões (+56,1% ante a posição do primeiro semestre de 2008).

A presidenta da Caixa, Maria Fernanda Ramos Coelho, comentou que o resultado da instituição está dentro do que foi negociado com o Ministério da Fazenda e destacou a importância dos bancos públicos para a economia nestes tempos de crise. "Desde 2004, quando redefinimos nosso planejamento estratégico, ficou claro que o objetivo da instituição não é maximizar lucro, mas ser um instrumento de políticas públicas e democratizar o acesso do crédito de forma sustentável para a empresa", afirmou.

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