Alta costura: doçura e opulência chez Christian Dior

A doçura e a opulência da pintura flamenga faz com que esqueçamos um instante a passagem do tempo, durante o desfile de haute couture de John Galliano que se inspirou em Vermeer, Van Dyck e Christian Dior na sua coleção primavera-verão 2009.

AFP |

Mais de 700 pessoas se aglomeraram numa tenda montada nos jardins do Museu Rodin para o desfile mais esperado deste primeiro dia de apresentação das coleções.

Quando a primeira silhueta aparece, como saída do imenso vitrail instalado ao fundo da passarela, parece surgida de um quadro de Vermeer, com sua touca branca e o que parece uma saia balão amarela. Lentamente, saias curtas, bem armadas a seguem, oscilando docemente, na cor azulada que o mestre flamengo gostava de associar ao amarelo. Colares evocam "La jeune fille à la perle", enquanto Carla Bruni canta "L'amoureuse".

As mangas bufantes arredondam os ombros, as golas passam por uma metamorfose com a renda branca se instalando junto ao pescoço e nas mangas; as cores tornam-se mais profundas, lembrando os retratos de Van Dyck, outro mestre flamengo do século XVII que foi o pintor favorito da rainha da Inglaterra.

Tulipas azuladas são aplicadas no bustiê, com o brilho da faiança de Delft aparecendo furtivamente sob um vestido de baile.

A fidelidade a Christian Dior é comprovada nas saias amplas, nos paletós que marcam a silhueta, no busto pequeno que fizeram o sucesso do célebre estilista lançado pelo fundador da casa de costura em 1947.

Várias personalidades do show-biz, entre elas as atrizes Marion Cotillard, Elsa Zylberstein e Michelle Yeoh, o "rapper" Kanye West e Dita Von Teese, assistiram ao desfile.

Alexis Mabille, por sua vez, celebrou o amor com leveza e humor, numa coleção de silhuetas sexy, com ombros estreitos, mas também com tons cor de carne, rosas, vermelhos e alaranjados.

As mulheres são longas, os cabelos bem trançados, mas pouco vestidas e com frequência acompanhadas de um amante.

O estilista, que fez história "chez" Ungaro e Nina Ricci, concebeu sua coleção como "um jogo delicioso sem obrigações" e propõe misturar vestimentas masculina e feminina, de dia e de noite. Pode-se, por exemplo, usar um vestido longo em veludo dévoré com uma capa de chuva, mas com botões-diamantes.

Stéphane Rolland prefere evocar o design, principalmente a designer Andrée Putman, o pintor Pierre Soulages e a arte cinética a propósito de sua coleção em preto e branco, com algumas peças em vermelho vivo. Criou inúmeros vestidos negros, com plissados. Os vestidos longos são ornados de pedras reunidas como mosaicos.

"Tenho sempre uma inspiração gráfica e trabalhei muito nos plissados, com contrastes", explica esse ex-diretor artístico de Jean-Louis Scherrer.

Numa pequena coleção de 16 peças, inspiradas em imagens do Sri Lanka, Christophe Josse (ex-Torrente) procurou criar "uma feminilidade leve e luminosa", com vestidos curtos bordados de flores, outros com as mangas curtas onduladas, como conchinhas, com forros pintados e bordados. A paleta de cores se apresenta eufórica, com laranjas, rosas, lilás...

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