Alstom se diz vítima em caso de suborno

Em comunicado publicado nesta sexta-feira, a Alstom informa que “se junta ao processo como parte civil” e se posiciona como vítima nas investigações conduzidas pela Justiça suíça por suspeitas de pagamentos de propinas a políticos de vários países, inclusive no Brasil. A medida faz parte de uma estratégia da empresa de se blindar contra as investigações, num momento em que seus lucros aumentam em mais de 50%.

Agência Estado |

A Justiça suíça confirmou o pedido da Alstom, que assim se transforma em co-autora no inquérito.

Em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, o vice-presidente da empresa e responsável por comunicação corporativa, Patrick Bessy, admite que essa decisão é uma forma de ter acesso aos documentos da investigação. No que se refere às acusações em torno de seus contratos no Brasil, ele considera que elas têm caráter “político”.

A Alstom entrou como parte civil nas investigações na Suíça, alegando que poderia ter sido vítima de um uso indevido de seus recursos. Por que essa decisão agora?

O direito francês nos dá essa possibilidade. Agora, somos um ator também nas investigações e podemos ter acesso ao que é dito sobre nós e ao que está sendo investigado. Estamos entrando como vítimas também.

Vitimas de quê?

Isso é o que queremos saber. O sistema nos abre essa possibilidade agora de saber o motivo das suspeitas.

O sr. está insinuando que a Alstom não sabe quais são as suspeitas?

Não sabemos o que existe sobre nós na Justiça. Agora, teremos direito de ter acesso aos processo e até a poder cooperar de forma melhor e mais transparente com a Justiça.

A Alstom pretende fazer o mesmo no Brasil?

Não há essa necessidade. No Brasil, há apenas um processo político, se eu poderia assim dizer, com essa motivação. Não há no Brasil um processo jurídico formalmente constituído contra nós.

Qual é, então, a posição da empresa sobre as acusações de pagamento de propinas a funcionários públicos e políticos?

Por enquanto, eu insisto em que não estamos sendo acusados de nada. Só existe uma investigação que pode levar meses, talvez anos, para ser concluída.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG