ALL manterá investimento mesmo se captar só R$ 350 mi

Na hipótese de captar dos controladores apenas R$ 350 milhões, o piso da faixa estimada, a América Latina Logística (ALL) manteria inalterado seu plano de investimentos. Estaríamos satisfeitos com R$ 350 milhões, pois a companhia abre o espaço para acessar o mercado de capitais, caso existam oportunidades estratégicas interessantes, afirmou a operadora logística, em documento de perguntas e respostas preparado para seus acionistas.

Agência Estado |

Os controladores da ALL devem subscrever entre R$ 350 milhões e R$ 500 milhões em debêntures conversíveis em ações ordinárias vinculadas ao grupo de controle. A empresa promoveu hoje duas teleconferências com acionistas para explicar a emissão de R$ 1,3 bilhão em debêntures conversíveis, mas não permitiu a participação da imprensa.

A engenharia financeira escolhida - debêntures conversíveis em ações ou units - foi considerada pela empresa como "a melhor forma" para permitir que o acionista controlador faça um aumento de capital em ações ordinárias vinculadas ao grupo de controle e com bloqueio (lock-up) de três anos. Segundo a ALL, a opção por estender a oferta aos demais acionistas - que poderão participar da oferta por meio da compra de units líquidas ou ações bloqueadas por três anos para negociação - visa permitir que estes investidores mantenham sua atual participação no capital da empresa.

A ALL frisou que não planeja a realização de uma oferta pública de ações após esta emissão. "A companhia atualmente não possui qualquer intenção, ainda que preliminar, de realizar nova oferta", informou a ALL, complementando que a principal razão desta emissão de debêntures não é captar recursos, mas aumentar a flexibilidade da companhia para acessar os mercados de capitais, caso haja necessidade.

A empresa destacou, também, que não haverá mudança no grupo de controle após a emissão. "A governança da companhia continuará a mesma. Independentemente de quais acionistas do grupo controlado vierem a subscrever debêntures, a proporção atual dos votos do grupo de controle, para efeitos de eleição do Conselho de Administração e votação na reunião prévia (onde o voto do grupo controlador é decidido) permanecerá inalterado", garantiu a companhia.

Diante do questionamento se a operação deve levantar alguma preocupação quanto a outros instrumentos de dívida da companhia, a ALL disse acreditar que tal operação seja boa do ponto de vista do titular da dívida, "uma vez que fortalece balanço da companhia tornando-o mais flexível", pois "um maior número de ações ordinárias do grupo controlador criará mais espaço para emissão de units no futuro, se necessário".

Cláusula suspensiva

A emissão contará com uma cláusula suspensiva, uma vez que, por exigência regulatória, o grupo de controle da ALL precisa deter mais da metade das ações com direito a voto bloqueadas para negociação em mercado e vinculadas ao acordo de acionistas. "Esta emissão se tornará efetiva apenas se a subscrição do instrumento conversível pelo grupo de controle for tal que após a conversão, este grupo detenha pelo menos 50% das novas ações ordinárias emitidas, para não violar a restrição imposta pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres). Caso a emissão das debêntures não se torne efetiva, a oferta seria suspensa", explicou a companhia.

A ALL está trabalhando, com a ANTT e outros órgãos, para possibilitar a pulverização de suas ações. É que a empresa pretende listar os papéis de sua emissão no Novo Mercado da BM&FBovespa, o que exigiria a diluição do bloco de controle para menos de 50%. A ideia é encontrar um desenho legal que permita a pulverização do capital sem contrariar a lei das concessões, já que a companhia controla concessionárias de serviço público de transporte ferroviário de carga. "Estamos envidando esforços para solução do problema, no entanto, não podemos antecipar quando e se vai acontecer", observou a operadora logística, no documento disponível aos acionistas.

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