Alinhados, BB e Votorantim falam em casamento perfeito

Por Aluísio Alves SÃO PAULO (Reuters) - Após meses de áridas negociações, o Banco do Brasil finalmente anunciou nesta sexta-feira a compra de 50 por cento das ações do banco Votorantim, numa operação de 4,2 bilhões de reais.

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E, num esforço para desassociar a crise financeira como motivadora para a operação, os presidentes de ambas as instituições preferiram tratar o negócio como um casamento perfeito para ambos.

Para Antônio Francisco de Lima Neto, presidente do BB, o grande atrativo para o banco federal na transação é a forte presença do Votorantim no financiamento para a compra de veículos.

"Não tínhamos uma presença muito grande no segmento de automóveis2", afirmou a jornalistas.

O interesse no ramo tinha levado o BB a criar uma parceria com o grupo sul-africano FirstRand, especializado na área, parceria que foi cancelada em dezembro, enquanto evoluíam as conversações com o Votorantim.

"Esse é o movimento que o BB está fazendo. O banco comercial que não tem canais alternativos de distribuição está condenado a ficar para trás", disse Aldo Nandes, vice-presidente de finanças do BB.

De quebra, o negócio reaproxima o banco estatal da liderança do ranking das instituições financeiras no Brasil, condição perdida em novembro, com o anúncio da fusão entre Itaú e Unibanco, formando um gigante com cerca de 575 bilhões de reais em ativos.

Mesmo com a compra da Nossa Caixa em novembro, por 5,39 bilhões de reais, e agora o Votorantim, o BB passa a somar 553,3 bilhões em ativos, segundo o comunicado enviado nesta manhã à Comissão de Valores Mobiliários CVM).

Para a família Ermírio de Moraes, controladora do Grupo Votorantim, o negócio amplia a rede de distribuição para oferecer crédito, dando maior musculatura ao banco.

"Vamos poder oferecer mais crédito", disse José Ermírio de Moraes Neto, presidente do Votorantim.

Mas é também um meio de reforçar a posição do banco, alvo de especulação sobre sua situação de liquidez, em meio aos efeitos da crise internacional intensificada em setembro, que provocou entre outros estragos, uma perda de 2,2 bilhões de reais ao Grupo Votorantim em perdas com operações de hedge cambial.

O modelo de gestão do banco, um dos principais entraves à conclusão do negócio, foi resolvido, mantendo-se o comando do Votorantim com a família Ermírio de Moraes. Em contrapartida, o BB terá uma participação compartilhada na gestão do banco.

"Para um casamento dar certo tem que se discutir o curto, o médio e o longo prazo e isso foi meticulosamente discutido", disse Ermírio de Moraes Neto.

O mercado, que vinha trabalhando com informações muito maiores sobre o valor da transação (chegou-se a mencionar que o BB pagaria até 7 bilhões de reais por metade do Votorantim), reagiu bem quando os valores oficiais foram divulgados. As ações do BB subiam 1,75 por cento, a 15,67 reais, no mesmo momento em que o Ibovespa recuava 1,7 por cento.

(Com reportagem adicional de Fernando Exman)

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