Os alimentos não são coloridos por mero capricho da natureza. Cada cor representa um pigmento, um nutriente com propriedades específicas, diz a nutricionista Fabiana Carvalho Trovão, especialista em nutrição clínica do Hospital Albert Einstein, em São Paulo.

"Antigamente indicávamos uma alimentação colorida por causa da estética, era uma forma de tornar o prato harmônico e atraente. Nos últimos anos, porém, pesquisas têm mostrado que a diversidade de cores é importante para a ingestão mais completa dos componentes que ajudam a prevenir doenças e fortalecer o corpo."

O poder da aquarela vegetal se tornou tão notório que virou recomendação especial do Ministério da Saúde, listada em seu Guia Alimentar para Crianças Menores de Dois Anos: "Uma alimentação variada é uma alimentação colorida", indica. Também o Instituto Nacional do Câncer (Inca) é taxativo ao vincular a diversidade de cores no prato à prevenção de tumores. Segundo dados do órgão, o brasileiro consome só um terço da porção diária de frutas, verduras e legumes estipulada pela Organização Mundial de Saúde.

"O ideal é ingerir cinco porções por dia, uma de cada cor. Assim, fortalecemos o sistema imunológico e preparamos o corpo para combater substâncias cancerígenas e doenças. Isso não é lenda, nem receita da vovó", frisa Fabiana. Entre os pigmentos vegetais mais conhecidos está o betacaroteno, responsável pela cor amarela ou alaranjada dos alimentos. Popularmente associada ao bronzeado uniforme e duradouro, a substância possui também algumas outras propriedades.

A nutricionista Luciana Tomita descobriu que o consumo de vegetais dessa coloração ajuda a proteger a mulher contra o câncer do colo de útero - o segundo tipo de neoplasia mais comum na brasileira, de acordo com o Inca. A doença é caracterizada pela evolução de uma lesão conhecida como neoplasia intraepitelial cervical (NIC), desencadeada pelo papilomavirus humano (HPV).

Riscos

"Existem três graus de lesões, sendo que o terceiro deles representa a forma mais grave, que antecede o tumor. Observei que quanto maior for o consumo do vegetal amarelo-escuro e da folha em tom verde-escuro menor é a chance de desenvolver lesões do grau 3. Essa diminuição de risco chega a 50%", conclui Luciana.

O estudo, que envolveu 1.378 voluntárias recrutadas em dois hospitais paulistanos, rendeu à pesquisadora o título de doutora em saúde pública pela Universidade de São Paulo (USP). "Os dados se baseiam na comparação entre a alimentação escolhida por mulheres sadias e o padrão nutricional adotado por pacientes com lesões. Enquanto as saudáveis consumiam 28 gramas por dia dos hortifrútis analisados, entre as pacientes com lesões de grau 3 a ingestão diminuía para 16 gramas por dia", detalha.

AE

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