Alice Braga espera despontar em Hollywood com filmes com Penn, Law e Ford

DUBAI ¿ Aos 25 anos, Alice Braga herdou de sua tia Sonia uma rara habilidade: a de conquistar Hollywood mesmo sendo brasileira. Apadrinhada pelo diretor Fernando Meirelles, agora ela se emancipa no cinema americano com a ajuda de nada menos que Jude Law, Sean Penn e Harrison Ford.

EFE |

Alice Braga / Getty Images

O ano de 2009 tem tudo para ser marcante graças a dois filmes: o drama "Crossing Over", no qual interpreta Mireya e divide a tela com Harrison Ford e Sean Penn, e "Repossession Mambo", um thriller de ficção científica com Jude Law e Forest Whitaker.

O ótimo momento da atriz se junta ao do cinema brasileiro em geral, que com estrelas como Rodrigo Santoro, filmes como "Tropa de Elite" ¿ vencedor do Urso de Ouro em Berlim ¿ e os nomes de Walter Salles e Fernando Meirelles está atraindo o interesse internacional.

Em uma entrevista a um pequeno grupo de jornalistas no Festival de Cinema de Dubai, que acaba hoje, Braga afirmou que "todos devem a 'Cidade de Deus' (2002) o fato de estarem no foco mundial", por sua capacidade de aproximar este traço do cinema latino-americano à ação de Hollywood.

Naquele filme, Meirelles contou com Alice para interpretar Angélica. O diretor voltou a recorrer a ela em "Ensaio sobre a Cegueira", uma adaptação de um romance do escritor português José Saramago. A mudança é considerável, e sair do cinema de temática social para entrar nesta metáfora dramática é muito positivo para a concepção que se tem do cinema relacionado ao Brasil, afirma Alice Braga.

"É positivo que busquemos nossa própria voz. Freqüentemente se pensou que só podemos e sabemos fazer filmes sobre violência, desigualdade social e pobreza. Entretanto, vão sendo abertas novas frentes e se demonstra que temos capacidade para abordar temas muito diferentes", declarou.

A atriz brasileira, que transmite uma sensualidade muito mais doce que a que caracterizou sua tia Sonia Braga ¿ candidata ao Globo de Ouro por "O Beijo da Mulher Aranha" ¿, já em 2008 dirigiu seu caminho para o estrelato por dois caminhos.

Por um lado através da superprodução "Eu Sou a Lenda", protagonizada por Will Smith e que conseguiu quase US$ 600 milhões na bilheteria internacional. Por outro, a de trabalhar, mesmo que em um papel secundário, com o prestigioso dramaturgo americano David Mamet no filme "Cinturão Vermelho", na qual contracenou com Rodrigo Santoro.

"Me encantou interpretar alguém tão mau. O desafio de entender um personagem com o qual não me identifico em absoluto é para mim a melhor maneira de aprender, o que te leva um pouco além", explica.

E assim, pouco a pouco ela vai compondo sua precoce filmografia, na qual procura mais a experiência do que o brilho. "Mais que o fato de ir para Hollywood me interesso pelas pessoas com as quais estou trabalhando. 'Ensaio sobre a Cegueira' foi rodado no Canadá e lá aprendi muito. Não deixo de olhar para cinematografias diferentes como as de México, Argentina e Espanha".

Assim, Alice Braga, sobretudo após rodar "Ensaio sobre a Cegueira", se esforça para ampliar a visão que pode lhe oferecer a realidade ao seu redor. "Acho que o que o mundo não está vendo é o que está ao lado. Conhecer, ver a vida cultural do que nos rodeia. Devemos lutar juntos para aceitar e valorizar as diferenças", declarou.

Para ela é muito importante a mensagem que José Saramago deseja transmitir em "Ensaio sobre a Cegueira", livro no qual se baseia o filme de Meirelles. "Li cinco anos antes de fazer o filme. Ele nos coloca em uma situação limite. Faz-nos perguntar como reagiríamos perante esta doença. Fala de pessoas normais, não de heróis. Eles, como poderia acontecer conosco, lidam com esta conjuntura tão extrema. E aí é onde se vão revelando os problemas que existem no mundo", concluiu.

(Reportagem de Mateo Sancho Cardiel)

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