Aliança com Dilma passa por apoio do PT ao PMDB mineiro

BRASÍLIA (Reuters) - O PMDB vai apresentar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na próxima semana uma demanda eleitoral cara para o PT: abrir mão da candidatura própria ao governo de Minas Gerais para facilitar as conversas em torno do apoio à ministra Dilma Rousseff em 2010.

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Segundo maior colégio eleitoral do país, Minas Gerais possui o maior número de convencionais peemedebistas. Qualquer decisão que passe pelo crivo dos filiados, tem de levar o Estado em consideração.

Lá, possíveis candidaturas petistas de Patrus Ananias, ministro do Desenvolvimento Social, e do ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel são obstáculo à candidatura do ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB), favorito nas pesquisas.

"Se não tiver Minas, perde a convenção", disse à Reuters o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), referindo-se à proposta de aliança do PMDB com Dilma.

Mas ceder Minas é um desafio para o PT local.

"O teste para medir seriedade, lealdade e vontade (do governo federal) é ceder em Minas Gerais", acrescentou Alves.

Há quem diga no PMDB que, apesar dos flertes com Lula e, ao mesmo tempo, com a oposição, o partido tende a não anunciar apoio formal a nenhum candidato. A hipótese dá liberdade à legenda de exigir um preço alto do governo eleito para compor sua base de sustentação.

Henrique Eduardo Alves está consultando todos os deputados da bancada para fazer uma radiografia sobretudo onde PT e PMDB concorrem. O objetivo é apresentar um mapa preciso ao presidente, em encontro previsto para a próxima semana.

"Não podemos ajudar o PT a ter poder nacional e tirar do PMDB a força nos Estados", pontuou.

Há urgência em resolver os conflitos locais, sobretudo após Dilma ter anunciado o tratamento de um câncer, o que levou o PMDB a reavaliar as condições e a vantagem de declarar apoio formal à chefe da Casa Civil.

"Na hora em que o presidente, no seu instinto político, lançou a Dilma, acelerou também os processos estaduais", ponderou Alves.

PT MINEIRO DIVIDO

Patrus Ananias e Fernando Pimentel estão divididos. Enquanto Patrus não descarta concorrer ao Senado e apoiar o PMDB para o governo, Pimentel está mais reticente. Ele é aliado do governador Aécio Neves (PSDB) e ambiciona a sucessão ao Palácio da Liberdade.

"Nosso campo está conversando muito bem com o Hélio Costa", disse à Reuters o deputado Gilmar Machado (PT-MG), vice-líder do governo no Congresso e aliado de Patrus.

"Não é desta vez que o PT nacional vai ter problema com Minas, não será desta vez que seremos um empecilho", admitiu.

O presidente do PT, Ricardo Berzoini (SP), tem defendido mais flexibilidade dos diretórios estaduais na construção das alianças, o que tem gerado desconforto junto a colegas com aspirações eleitorais.

A disputa pelas vagas no Senado também é motivo de tensão. Dos 19 senadores peemedebistas, 15 vão tentar a reeleição. Destes, nove irão disputá-la com adversários do PT.

Nos Estados, o desafio é maior. Nas contas do partido, até agora, somente seis Estados (Goiás, Rio de Janeiro, Ceará, Amazonas, Alagoas e Piauí) dariam palanque para Dilma sem grandes dificuldades, o que mostra o longo caminho de negociações para atrair o robusto PMDB.

(Edição de Alexandre Caverni)

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