Os 20 deputados que integram a bancada do governador cassado da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB), realizaram ontem, sem a presença da oposição, 17 sessões extraordinárias e aprovaram planos de cargos para jornalistas, servidores de uma fundação que atende deficientes, procuradores de Justiça e servidores da Controladoria Geral do Estado. Cada sessão durou em média cinco minutos.

Sem a presença dos 16 deputados de oposição - aliados do senador peemedebista, José Maranhão, que deverá assumir o governo do Estado -, os parlamentares governistas também aprovaram projeto que disciplina o pagamento dos servidores da área de saúde e promoveram modificações na estrutura da Polícia Militar. Os 20 deputados ainda modificaram o regimento interno da Assembléia Legislativa para a votação do orçamento de 2009, sem a apresentação de emendas.

O orçamento de R$ 5,8 bilhões, elaborado pela equipe do governador cassado, foi aprovado sem discussão. Os deputados de oposição decidiram não participar do que chamaram de "palhaçada". "Foi uma palhaçada patrocinada por um governador ilegítimo, que não tem mais representatividade", disse o líder do PT na Assembléia Legislativa da Paraíba, Jeová Vieira Campos.

Segundo ele, a bancada de oposição ao atual governo está estudando as medidas judiciais que podem ser movidas contra a própria Assembléia Legislativa. A idéia, conforme Jeová, é anular, por exemplo, a sessão que aprovou o orçamento do Estado. No seu entendimento, "o pacote de medidas aprovadas pelos governistas tem o nítido intuito de inviabilizar a administração do senador José Maranhão".

Maranhão deve assumir o governo da Paraíba no lugar de Cunha Lima, que foi cassado no último dia 20, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sob acusação de ter distribuído cerca de 35 mil cheques da Fundação de Ação Comunitária (FAC) em pleno ano eleitoral de 2006. Para assumir o governo, Maranhão espera apenas a publicação do acórdão do TSE sobre a cassação de Cunha Lima.

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