Alexandre Nardoni é transferido para CDP 2 de Guarulhos

SÃO PAULO - Alexandre Nardoni, acusado de ter participado da morte da filha Isabella, foi transferido na tarde desta terça-feira para o Centro de Detenção Provisória (CDP) 2 de Guarulhos. Segundo delegado Aldo Galeano, do Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap), a transferência se dá em razão do surgimento de uma vaga para Alexandre, além das ameaças que vinha sofrendo no 13º DP, na Casa Verde, onde estava preso desde a quarta-feira.

Carolina Garcia, do Último Segundo |

Reprodução
Isabella com a mãe em foto de aquivo

Segundo o delegado, Alexandre ficará isolado em uma cela no Centro de Detenção. A escolha, de acordo com Galeano, se deu porque o CDP 2 de Guarulhos é um dos mais seguros do Estado. "Lá a segurança é maior, caso Alexandre não se adapte ao presídio será transferido novamente. E isso acontecerá quantas vezes for necessário". Após 10 dias de isolamento, Alexandre poderá receber visitas.


Entevista de Antônio Nardoni

Na tarde desta terça, Galeano afirmou que a defesa tem mantido uma postura ética e correta. "Infelizmente, não posso dizer o mesmo dos familiares do casal", disse se referindo ao pai de Alexandre, Antônio Nardoni.

Para o delegano, Nardoni deveria "se limitar a defender o filho e parar de dar entrevistas querendo virar estrela". O avô de Isabella, teria dito à imprensa que a polícia falhou em não cumprir o acordo feito com a família.

"Não faço acordo com preso. Questionaram o fato do casal ter sido levado em um carro sem películas (insulfilm) nos vidros. Eles foram deste modo, por que eu quis. Eles (os parentes do casal) não determinam qual carro eu devo usar. O Alexandre vai aonde e como eu quero", enfativa Galeano.

Laudos da Perícia

De acordo com o Dr. José Antônio de Morais, perito e diretor do Núcleo de Pesquisas de Crimes contra Pessoa do Instituto Médico Legal (IML), o laudo de reconstituição da morte de Isabella deve ficar pronto em 15 dias.

Além disso, o perito ressaltou que as manchas do carro de Alexandre possuem o perfil genético (amostras de sangue contendo outras substâncias orgânicas) de Isabella.

"Através das amostras do carro, do corredor e do apartamento, conseguimos encontrar o perfil genético da menina", confirmou Morais.

Defesa confia em novo julgamento de habeas-corpus

Nesta terça, o advogado Marco Polo Levorin, que defende Alexandre e Anna Carolina Jatobá, afirmou que o habeas-corpus está bem fundamentado e estruturado e que a defesa acredita que deve ser aceito em um novo julgamento da 4ª Câmara do Tribunal de Justiça (TJ). Os advogados estudam, também, impetrar um novo habeas-corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília.

Estamos confiantes sim, não só no julgamento desta liminar na Câmara do TJ mas, eventualmente, no STJ em Brasília. O pronunciamento aconteceu após o advogado ter acesso à decisão do desembargador Caio Canguçu de Almeida, da 4º Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, que negou o pedido de habeas-corpus ao casal em primeira instância. Os dois estão presos desde a última quarta-feira, dia 7. 

Levorin estava reunido com os outros dos advogados de defesa do casal Ricardo Martins e Rogério Neres. Ele afirmou que a defesa vai aguardar o julgamento do mérito da decisão na Câmara do TJ, já que a decisão é liminar, mas também não descarta a possibilidade de entrar com um novo pedido de habeas-corpus antes mesmo da decisão definitiva.

O mérito do julgamento vai acontecer em uma reunião do desembargador Canguçu de Almeida com os desembargadores Luiz Soares Melo e Euvaldo Chaib, ambos da 4º Vara Criminal do Estado de São Paulo, ainda sem data definida. "A primeira decisão foi liminar. Agora, o debate é na Câmara do TJ", disse.

Mesmo discordando da decisão de Canguçu, Levorin afirmou que o desembargador usou de critérios técnicos no seu julgamento.  "Já o juiz usou do clamor público, a credibilidade da empresa e a gravidade do crime pra decretar a prisão", disse referindo-se ao juiz Maurício Fossen, do 2º Tribunal do Júri, que decretou a prisão preventiva do casal após o pedido do promotor Franscisco Cembranelli. "Isso não é suficiente", afirmou.

Ele completou ainda que a teme que as afirmações do juiz em primeira instância possam afetar a decisão dos jurados na Câmara.

O advogado não quis se estender sobre a entrevista de Ana Carolina de Oliveira, mãe de Isabella Nardoni, concedida ao programa Fanstástico no último domingo na qual ela afirma que será testemunha de acusação contra o ex-namorado e sua atual mulher. "Foi a entrevista de alguém que perdeu um ente querido", disse apenas.

Levorin afirmou que vai encontrar Alexandre e Anna, que ainda não sabem da decisão em relação ao habeas-corpus, nos próximos dias. Quanto à transferência de Alexandre, ele disse se tratar de uma questão administrativa e observa apenas os cuidados com a integridade física do casal.

Homicídio triplamente qualificado

Alexandre e Anna Carolina são acusados de homicídio triplamente qualificado: meio cruel (agressões e asfixia), assegurar a execução ou ocultação de outro crime (decidiram jogar a vítima para esconder as agressões) e impossibilidade de defesa. Eles podem pegar de 12 a 30 anos de prisão caso seja julgados e condenados pelo crime de homicídio.

Pela alteração da cena do crime (a tentativa de apagar as manchas de sangue), a pena varia de seis a quatro anos de detenção. Se isso ocorrer Alexandre poderá, ainda, pegar uma condenação de seis meses a um ano, a mais que a mulher, por ser pai da vítima.

O caso

Lecticia Maggi
Reconstituição do crime no prédio em SP
Isabella era filha do consultor jurídico Alexandre Alves Nardoni e da bancária Ana Carolina Cunha de Oliveira. A cada 15 dias, ela visitava o pai e a madrasta Anna Carolina Jatobá.

No sábado, dia 29 de março, a garota foi encontrada no jardim do prédio em que o pai mora. A polícia descartou desde o princípio a hipótese da criança ter caído da janela do 6° andar por acidente. O delegado titular do 9º Distrito Policial Carandiru, Calixto Calil Filho, declarou que Isabella foi jogada do apartamento por alguém.

O delegado destacou o fato de a tela de proteção da janela do quarto ter sido cortada e de ninguém ter dado queixa de desaparecimento de pertences no local.

O pai alegou à polícia que um homem invadiu o seu apartamento. Ele e Anna Carolina afirmam ser inocentes e, por meio de cartas e em entrevista ao programa "Fantástico", da TV Globo, disseram esperar que "a justiça seja feita".

(Com Amanda Demétrio, do Último Segundo)


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