Alexandre e Anna Carolina se entregam à polícia e são presos em São Paulo

SÃO PAULO - Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá se entregaram à polícia na noite desta quarta-feira após o juiz Maurício Fossen, da 2ª Vara do Tribunal do Júri de São Paulo, aceitar a denúncia do promotor Francisco Cembranelli de prisão preventiva do casal. Algemados e separados em dois camburões da Polícia Civil, Alexandre e Anna Carolina deixaram a casa dos pais dela, em Guarulhos, por volta das 22h40 desta quarta. Agora, eles são considerados réus no processo que investiga a morte de Isabella Nardoni, que teria sido jogada do sexto andar do do Edifício London, onde o pai e a madrasta moravam, na vila Isolina Mazzei, zona norte de São Paulo, no dia 29 de março.

Luciana Fracchetta, do Último Segundo |

AE/Jonne Roriz
Alexandre é levado em camburão
Sob protesto e gritos de "Justiça", o casal chegou ao 9º Distrito Policial, no Carandiru,  cerca de 20 minutos depois para assinar o cumprimento de mandado de prisão. Pelo menos 20 viaturas do Grupo de Operações Especiais (GOE), da Polícia Civil, com homens fortemente armados acompanhou o comboio com os dois camburões onde estava Alexandre e Anna Carolina. Houve tumulto e policiais tiveram de conter centenas de curiosos.

O advogado de defesado casal, Marco Polo Levorin, e o pai de Alexandre, o também advogado Antônio Nardoni, chegaram minutos depois no Distrito Policial para acompanhar o casal.

Por volta da 0h15 desta quinta-feira, o casal deixou o Distrito Policial em uma única viatura, rumo ao Instituto Médico Legal (IML) onde passaram por exames de corpo de delito. Viaturas do GOE acompanharam o comboio.

AE/José Patrício
Anna Carolina chega ao 9º DP

Após os exames, por volta da 1h00, o casal foi separado. Nardoni foi levado para 13º Distrito Policial, na Casa Verde, zona norte de São Paulo. Ele ficará em cela especial por ter curso superior.

Já Anna Carolina está no 97º DP, na Vila Guarani, zona sul. A madrasta de Isabella deve ser transferida nesta quinta-feira para um Centro de Detenção Provisória (CDP), possivelmente o localizado na Rodovia Raposo Tavares, em Osasco, na Grande SP. O advogado do casal, Marco Polo Levorin, afirmou que entrará com pedido de habeas-corpus em favor do casal ainda nesta quinta-feira.

O Tribunal de Justiça confirmou que o casal será interrogado pelo juiz Maurício Fossen, do 2º Tribunal do Júri de São Paulo, no dia 28 de maio, às 13h30.

Para delegado, caso está encerrado

Minutos depois de o casal deixar o 9º Distrito Policial, o delegado Calixto Calil Filho, que comandou as investigações, conversou rapidamente com jornalistas no local. Calil Filho disse que está satisfeito com as investigações e que "o caso está encerrado".

"As investigações foram realizadas com sucesso. Estou satisfeito com o andamento. O caso está encerrado. A Justiça foi feita", disse o delegado.

Ele afirmou também que acredita que a justiça não deve conceder a liberdade ao casal, caso seja pedido o habeas corpus pela defesa de Alexandre e Anna Carolina. "Na minha opinião, o casal permancecerá preso".

Promotor diz que aconteceu o esperado

AE/Jonne Roriz
Multidão em frente ao prédio em Guarulhos
O promotor de Justiça Francisco Cembranelli, que cuida do caso da morte da menina Isabella Nardoni, comemorou a decisão do juiz Maurício Fossen. "Aconteceu o esperado. A Justiça foi sensível às ponderações do Ministério Público e das autoridades policiais", disse, minutos depois da divulgação da sentença.

Cembranelli está confiante de que a prisão decretada nesta quarta-feira será mantida até o julgamento do pai e da madrasta de Isabella. "Desta vez, o desembargador deve negar o habeas-corpus, porque há provas robustas e elementos fortes. A situação mudou muito", avaliou.

O promotor voltou a afirmar que a prisão de Alexandre e Anna Carolina vai garantir mais rapidez no andamento do processo e disse que "se estivessem soltos, eles teriam acesso a todos os recursos protelatórios possíveis".

Na opinião do promotor, o clamor popular colaborou para a aceitação do pedido de prisão preventiva e a voz da sociedade também será importante no julgamento do casal que, na sua opinião, será através de júri popular. "Tenho absoluta certeza de que a sociedade, numa data não tão distante, será chamada para dar um veredicto ao caso compatível com o interesse social".

Informado sobre a presença de um grande número de pessoas em frente ao apartamento dos pais de Anna Carolina, onde a polícia montou uma operação para levar o casal preso, Cembranelli pediu cautela. "Peço por favor que as pessoas contenham sua ansiedade e confiem na Justiça", afirmou.

Homicídio triplamente qualificado

Isabella Nardoni em foto de arquivo
Alexandre e Anna Carolina foram denunciados por homicídio triplamente qualificado: meio cruel (agressões e asfixia), assegurar a execução ou ocultação de outro crime (decidiram jogar a vítima para esconder as agressões) e impossibilidade de defesa. Eles podem pegar de 12 a 30 anos de prisão caso seja julgados e condenados pelo crime de homicídio.

Pela alteração da cena do crime (a tentativa de apagar as manchas de sangue), a pena varia de seis a quatro anos de detenção. Se isso ocorrer Alexandre poderá, ainda, pegar uma condenação de seis meses a um ano, a mais que a mulher, por ser pai da vítima.

O caso

Lecticia Maggi
Reconstituição do crime no prédio em SP
Isabella era filha do consultor jurídico Alexandre Alves Nardoni e da bancária Ana Carolina Cunha de Oliveira. A cada 15 dias, ela visitava o pai e a madrasta Anna Carolina Jatobá.

No sábado, dia 29 de março, a garota foi encontrada morta no jardim do prédio em que o pai mora. A polícia descartou desde o princípio a hipótese de acidente. O delegado titular do 9º Distrito Policial Carandiru, Calixto Calil Filho, declarou que Isabella foi jogada da janela do apartamento por alguém.

O delegado destacou o fato de a tela de proteção da janela do quarto ter sido cortada e de ninguém ter dado queixa de desaparecimento de pertences no local.

O pai teria alegado à polícia que um homem invadiu o seu apartamento. Ele e Anna Carolina afirmam ser inocentes e, por meio de cartas e em entrevista ao programa "Fantástico", da TV Globo, disseram esperar que "a justiça seja feita".

( Com informações da Agência Estado )

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