Alerta meteorológico pegou Defesa Civil de surpresa

Especialistas reconhecem que é preciso melhorar sistemas de previsão e resposta a desastres naturais no Brasil

Maria Fernanda Ziegler, iG São Paulo |

A tragédia na região serrana do Rio poderia ter sido amenizada caso o sistema de alerta tivesse sido mais eficiente. De acordo com Fernando Costa, chefe da área de socorro e desastres da Cruz Vermelha do Brasil, as chuvas extrapolaram qualquer capacidade de resposta dos órgãos.

“Quando tem acessos destruídos há um potencializador de tragédia”, disse. Costa afirma, no entanto, que há a necessidade de prepara as comunidades para eventos como estes. “O que faz a diferença em um desastre é a comunidade estar preparada para respostas. Fora isso, a estrutura foi pega de surpresa", disse.

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De acordo com o superintendente operacional de Defesa Civil do Estado do Rio, Coronel Luis Guilherme Ferreira dos Santos, o aviso de chuvas é recebido pelo sistema de Defesa Civil, que repassa a informação para os gabinetes dos 92 municípios fluminenses e para os órgãos de defesa civis municipais, para que cada cidade possa ativar seu plano de contingência. O alerta também é encaminhado para as unidades estaduais de resposta a desastres, que são os quartéis do Corpo de Bombeiros em todo Estado. Cabe a cada município elaborar o plano de contingência.

Os sistemas de aviso meteorológico utilizam a graduação de quatro cores (verde, amarelo, laranja e vermelho) para destacar a intensidade de uma chuva, vento ou qualquer outro fenômeno de clima. Luiz Augusto Machado, coordenador geral do Centro de previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC)e explica que os avisos informam apenas sobre a incidência de um fenômeno meteorológico muito forte. O índice não é baseado na quantidade de precipitação, é dado em graduações de 60 em 60 milímetros de chuva.

“Precisamos melhorar a resolução destes dados, não temos estrutura para a previsão imediata. Nossa previsão do tempo tem índice de acerto altíssimo, mas ainda precisa aprimorar estrutura e equipamento no acompanhamento”, disse Machado. No caso da serra fluminense, em dois dias, choveu na região mais que a média mensal para esta época do ano. Em Nova Friburgo, entre as noites de segunda (10) e terça-feira (11), foram 279 mm de precipitação, enquanto a média para todo o mês de janeiro na cidade era de 232 milímetros.

Machado afirma que com o supercomputador do Inpe, a previsão imediata melhorará, mas ainda falta estrutura, radares e organização de pessoal para acompanhar determinados eventos.

O sistema de avisos meteorológicos funciona da seguinte maneira: todos os dias, às 10h30 ocorre uma reunião por vídeo conferência com os órgão de meteorologia do país para decidir que avisos devem ser dados. Estes avisos podem ser emitidos a qualquer hora do dia. “Duzentos milímetros de chuva na Amazônia é uma coisa, em região de encosta de morro é outra coisa muito pior”, disse.

De acordo com a meteorologista do Institito Nacional de Meteorologia (INMET/RJ), Marlene Leal, na terça-feira (11), às 16h23, foi enviado o aviso vermelho, por e-mail, há 180 usuários, entre prefeituras, secretarias e órgãos da defesa civil e imprensa do estado do Rio e Espírito Santo. “Não temos o e-mail da defesa civil de Nova Friburgo, mas enviamos o aviso por fax”, disse.

Na Austrália
A jornalista Gabriela Borges morou na Austrália por nove meses e pode notar que os australianos são muito mais preocupados com a previsão do tempo do que os brasileiros. “Lá eles fazem os avisos na imprensa. Na TV tinha previsão do mundo inteiro. Bem diferente do que acontece no Brasil”, disse.

Morando agora na Argentina, Gabriela afirma que a cultura dos argentinos sobre este assunto é parecida com a dos brasileiros. “Na Argentina, assim como no Brasil, eu nunca vi um alerta. Aqui de diferente falam apenas se há possibilidade de neve”, disse.

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