Alerta de pandemia deve acelerar produção de vacina

A decisão da OMS de elevar o surto de influenza H1N1 (gripe suína) para pandemia representa a confirmação científica de que o novo vírus está surgindo e circulando rapidamente pelo globo. O alerta deve levar as empresas farmacêuticas a acelerarem a produção de uma vacina para a doença e desencadeará a concessão de mais recursos pelos governos para os esforços de contenção do avanço do vírus.

Agência Estado |

"Neste estágio atual, a pandemia pode ser caracterizada, globalmente, como de severidade moderada", afirmou o comunicado da OMS, que pediu para que os países não fechem fronteiras ou criem restrições para viagens ou negócios. "(Nós) estamos em diálogo próximo com os fabricantes de vacinas", observou a OMS.

No boletim distribuído ontem, a OMS informou que 74 países haviam registrado 27.737 casos de gripe suína, incluindo 141 mortes pela doença. A agência enfatizou que a maioria dos casos é de contágio leve e não requer tratamento, mas o temor é de que a nova erupção da doença sobrecarregue hospitais, especialmente nos países mais pobres. Mesmo assim, cerca de metade das pessoas que morreram após serem infectadas pelos vírus era jovens e, até então, saudáveis, o que indica que não eram muito suscetíveis à gripe.

O vírus continuou se espalhando mesmo com a elevação das temperaturas no Hemisfério Norte. Normalmente, os vírus de gripe desaparecem quando há mais calor, mas o H1N1 está se mostrando mais resistente. O último episódio que desencadeou uma pandemia foi a gripe que surgiu em Hong Kong, em 1968, matando cerca de 1 milhão de pessoas. Gripes normais matam cerca de 250.000 a 500.000 pessoas por ano.

Vários especialistas em assuntos de saúde afirmam que a declaração de pandemia pela OMS já deveria ter sido feita há várias semanas, mas questões políticas teriam impedido a elevação do alerta, em razão dos temores de que a situação gerasse convulsões sociais e econômicas. "A OMS, finalmente, se curvou aos fatos", afirmou o especialista em gripe da Universidade de Minnesota, Michael Osterholm, que vinha recomendando ao governo dos EUA para que se preparassem para uma situação de pandemia.

Controles internos

A despeito da expectativa da OMS, a elevação do alerta de epidemia para o topo da escala deve desencadear algum pânico sobre a contaminação pela doença. O temor já foi sentido em países como a Argentina, onde centenas de pessoas lotaram os hospitais nesta semana, levando ao colapso os serviços de saúde de Buenos Aires. No mês passado, um ônibus que entrou na Argentina vindo do Chile foi apedrejado por pessoas que imaginavam que os passageiros tinham gripe suína. O Chile é o país sul-americano mais afetado pela doença.

Em Hong Kong, o governo local determinou a suspensão das aulas nas escolas primárias e berçários por duas semanas, após testes de contágio apontarem resultados positivos para dezenas de alunos. Nos EUA, onde foram registrados mais de 13 mil casos da doença e 27 mortes, autoridades nos Centros de Controle e Prevenção de Doenças afirmaram que o alerta de pandemia não mudará a abordagem em relação ao assunto. "Nossas ações no último mês foram tomadas como se houvesse uma pandemia no país", disse um porta-voz do centro de controle, Glen Nowak.

O governo dos EUA já tomou medidas, como a ampliação da disponibilidade de medicamentos para combate à gripe e a autorização de US$ 1 bilhão para o desenvolvimento de nova vacina contra o vírus. Paralelamente, o número de novos casos está em queda em várias partes do país, segundo autoridades locais, já que a temporada de pico da gripe está ficando para trás. Mesmo assim, Osterholm disse que a declaração da OMS é um chamado de alerta para o mundo. "Nós não sabemos o que pode acontecer em 6 a 12 meses." As informações são da Associated Press.

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