Alerta: 22 novas drogas fatais ao coração

Relatório europeu mostra que ¿primas¿ do ecstasy são vendidas pela web

Fernanda Aranda, iG São Paulo

Um relatório divulgado esta semana mostra que foram identificadas, só durante o ano passado, 24 novas drogas ilegais vendidas no mercado paralelo, todas com potencial de aumentar os casos de infartos em jovens.

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Das 24 novas drogas detectadas, 22 eram sintéticas
A European Monitoring Centre for Drug Addiction (Emcdda ), responsável pelo levantamento feito em parceria com a Polícia Federal da União Europeia, classifica como “recorde” as identificações em apenas um ano. Foi mais do que o dobro das reportadas em 2008 (13 naquele ano).

O dossiê deixou autoridades do mundo todo em alerta por causa de dois motivos principais, avalia o fundador do Instituto Brasileiro Giovanni Falcone Walter Maierovitchi – entidade que também recebeu o documento.

O primeiro é que 22 das 24 novas drogas são sintéticas, ou seja, feitas em laboratório e com potencial tóxico ainda maior. O segundo é que a internet é o terreno fértil para a venda destes produtos ilegais, o que amplia o alcance de usuários em todos os continentes, não só o europeu.

Feitas a base de anfetamina e outras substâncias já identificadas em ecstasy, as novas drogas sintéticas contribuem para agravar o cenário dos problemas cardíacos em pessoas com menos de 30 anos. O consumo das chamadas “pílulas do amor” transforma o coração em bomba-relógio e é o principal responsável pela falência precoce do músculo cardíaco.

Coração “pilhado” e doente

No Brasil, uma em cada quatro vítimas de infarto nesta faixa-etária é usuária de cocaína, ecstasy ou outro psicoativo, dado que foi apresentado nesta quinta-feira, 29, aos principais médicos do País, durante o Congresso da Sociedade Paulista de Cardiologia (Socesp).

Rui Ramos, médico da Socesp e debatedor do tema, afirmou que o contexto do usuário deste tipo de droga é agravado por outros hábitos. No geral eles fumam cigarro e consomem bebidas alcoólicas, o que fragiliza ainda mais o coração. Outro agravante é: “ficar pilhado” também sobrecarrega o coração. O risco de problema é aumentado em 50%.

Ronaldo Laranjeira, psiquiatra da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), especializado em drogas, disse em entrevista recente ao iG que o Brasil é um dos poucos países que ainda registra aumento de consumo de cocaína junto com ecastasy – na Europa há declínio só do uso de coca – e isso é o preço pago “por não ter um sistema de saúde estruturado para o atendimento do dependente”.

“É uma soma de fatores”, acrescenta Marcelo Sampaio, cardiologista do Instituto Dante Pazzanese e autor de uma pesquisa sobre infartos em jovens. “Dos infartados a maioria é fumante (92%). Os mais novos estão mais estressados, mais obesos, comendo pior. Tudo isso favorece a ocorrência de problemas cardiovasculares”, resume.

Edu César / FOTOARENA
Felipe usava crack e teve overdose por causa de ecstasy
Overdose na rave

Felipe, 22 anos, já colocou em risco sua vida por causa das drogas sintéticas. O “pescoço” foi a prêmio depois que foi preso, perdeu todas “as balas” que vendia na porta da faculdade e entrou em dívida com o dono da boca que oferecia o emprego de vendedor. Já o coração entrou em colapso quando, em uma só noite, o jovem consumiu oito comprimidos de ecstasy numa rave. A overdose, a segunda da sua vida, foi o gatilho para buscar ajuda médica.

Apesar dos comprimidos, o crack é apontado pelo jovem como a droga que mais o devastou. “Uma mistura letal", reconhece ele. "Um alerta também para os jovens que pensam que bala não vicia. Eu traficava para usar", afirmou.

O mesmo ecstasy que fez Felipe ver a morte de perto para procurar uma nova vida, poderia ter sido o último capítulo caso a personagem real fosse uma mulhe r. Para o sexo feminino, o infarto é duas vezes mais fulminante, ainda mais se incentivado pelo uso de drogas.

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