RIO DE JANEIRO ¿ A Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) vai encaminhar à Infraero um documento com propostas e dados que ajudem a solucionar os problemas enfrentados pelo Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim, o Galeão. A carta será elaborada a partir das alternativas apresentadas em uma audiência pública realizada na Alerj nesta segunda-feira. Na reunião, o governador do Rio, Sérgio Cabral, defendeu a concessão do aeroporto à iniciativa privada e disse que, hoje, o Galeão não dá lucro.

Ignácio Ferreira
Sérgio Cabral defendeu a privatização do Galeão
Vamos largar o osso e pensar em modelos de gestão para um aeroporto de qualidade, moderno, com conforto e infra-estrutura. Vamos nos concentrar no que é fundamental e olhar para modelos internacionais. Hoje, 50% do tráfego aéreo internacional de aeroportos são privados. Não se perde soberania nacional com a concessão à iniciativa privada. Soberania é controle aéreo e outras medidas, não gestão de aeroportos, defendeu.

De acordo com Cabral, com concessão do Galeão à iniciativa privada, o governo federal passará a ter receita com o aeroporto, o que não ocorre atualmente. No ano passado, o governo teve um prejuízo estimado em R$ 165 mil. Segundo o governador, serão necessários mais de R$ 500 milhões para adequar o aeroporto para as Olimpíadas de 2016. Além da reforma do Terminal 1 e a conclusão do 2, há necessidade de retirar as garagens de carros do Galeão, construindo-as fora do terminal, conforme exigem as normas internacionais de segurança para diminuir os riscos de atentados terroristas.

Já perdemos duas vezes a disputa, mas fizemos o dever de casa: mostramos um Pan-Americano maravilhoso e estamos no caminho certo. Na avaliação do Comitê Olímpico Internacional (COI), a pior nota obtida pelo País, 3.7, foi relativa à infra-estrutura do Galeão e precisamos entregar ao COI, até o final do ano, propostas concretas de investimentos no aeroporto, explicou.

Obras

Durante a audiência, o presidente da Infraero, Sergio Gaudenzi, apresentou o projeto de reforma do Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim. A estatal vai investir cerca de R$ 400 milhões na conclusão e reforma dos Terminais de Passageiros 2 e 1, respectivamente. Segundo estimativas da Infraero, com as obras, haverá uma um aumento na capacidade do sistema dos terminais para 20 milhões de passageiros/ano. Gaudenzi ressaltou que independentemente da Copa de 2014 ou da possível realização das Olimpíadas em 2016, o aeroporto terá que estar pronto em 3 anos e meio.

Vamos concluir o Terminal de Passageiros 2 e reformar completamente o Terminal de Passageiros 1. Acredito que em 3 anos e meio o Galeão estará pronto, esclareceu.

Sobre a intenção de privatização do aeroporto, Gaudenzi afirmou que esta é uma decisão do governo. O presidente ressaltou ainda que a Infraero não é proprietária de nenhum aeroporto. Eles pertencem à União.

Enquanto não houver outra determinação, cabe à Infraero cumprir o planejamento estabelecido. Esta decisão escapa à Infraero, disse.

De acordo com dados da Infraero, em quase 30 anos de construção, o Tom Jobim passou por uma reforma em 1991 e teve parte da obra do Terminal 2 encerrada em 1998, o que não impediu o surgimento de problemas no prédio. Hoje, a estrutura do Terminal 1 é completamente deteriorada. Mesmo assim, essa parte do aeroporto e metade da estrutura do Terminal 2 recebem passageiros.

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