Alerj irá se reunir para decidir sobre prisão de Natalino Guimarães

RIO DE JANEIRO ¿ A Assembléia Legislativa do Rio (Alerj) vai se reunir nesta quarta-feira em caráter extraordinário para decidir se irá revogar ou não a prisão do deputado estadual Natalino Guimarães (DEM). No encontro, os membros da Mesa Diretora, da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e do Conselho de Ética vão receber da polícia os autos da prisão em flagrante do parlamentar. Natalino Guimarães é acusado de comandar a milícia ¿Liga da Justiça¿, que atua em Campo Grande, zona Oeste do Rio.

Redação com agências |

AE
Deputado estadual Natalino Guimarães (DEM)
O deputado foi preso em flagrante, junto com outras cinco pessoas, em sua própria casa na noite desta segunda-feira. Segundo a polícia, Natalino foi detido após uma troca de tiros entre agentes e membros de uma suposta quadrilha ligada a ele. Na casa do parlamentar foram encontrados um fuzil, duas escopetas, uma submetralhadora, seis pistolas e três revólveres. A polícia apreendeu ainda uma lista com nomes de supostos empregados da milícia e valores, entre R$ 300 e R$ 1,7 mil, que seriam pagos a eles semanalmente.

  • Entre os detidos estava Fábio Pereira de Oliveira, o Fabinho Gordinho. Ele estava foragido e supostamente trabalhava como segurança de Natalino. Os presos responderão por formação de quadrilha, porte de arma, tentativa de homicídio e favorecimento pessoal. Pelo menos sete pessoas conseguiram fugir. Em depoimento, o deputado estadual negou que tenha ligação com milícias. Ele disse que estava chegando a sua casa quando foi surpreendido pela polícia. Segundo o parlamentar, os policiais atiraram primeiro e ele correu para proteger-se.

    Segundo o delegado da 35ª DP (Campo Grande), Marcus Neves, o envolvimento do deputado Natalino e do vereador Jerônimo Guimarães Filho, irmão do parlamentar, preso desde dezembro do ano passado, foi descoberto após o inicio das investigações comandadas pelo chefe de polícia Gilberto Ribeiro. O titular ressaltou a participação de policias e civis em grupos milicianos da região.

    Nós temos pela menos trinta pessoas, policias e não policiais, que já foram presas em flagrante ou a partir de mandado de prisão, expedidos pelo Judiciário. Nós temos um inquérito policial instaurado, com uma relação de 42 nomes que figuram como os principais membros desse grupo, disse o delegado.

    Marcus Neves disse ainda que, após o procedimento legal feito na delegacia em Campo Grande, uma cópia do documento será encaminhada ao procurador-geral de Justiça e outra ao presidente da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), para que os deputados decidam pela permanência ou não do deputado no cárcere. Natalino ficará preso na penitenciária Bangu 8, onde está o ex-banqueiro Salvatore Cacciola.

    Manifestação

    Cerca de 30 pessoas protestaram nesta terça-feira, em frente a 35ª DP (Campo Grande), contra a prisão do deputado estadual Natalino Guimarães. Os manifestantes bateram latas e panelas e gritaram palavras de ordem para que o parlamentar fosse solto. Eles tentaram invadir a delegacia e foi necessária a utilização de gás de pimenta para conter a multidão. Agentes da 35ª DP fizeram uma barreira de proteção à delegacia e houve reforço na segurança com a chegada de homens da PM e da Polícia Civil. Um homem que participava da manifestação e fotografava os policiais com um telefone celular foi detido e obrigado a apagar as fotos por medidas de segurança.

    Liga da Justiça

    Érica Ramalho
    Promotores prestam depoimento à CPI das milícias
    Na última quinta-feira, os promotores de Justiça Jorge Magno e Bruno Stibich confirmaram à CPI das milícias a existência de um grupo miliciano autodenominado Liga da Justiça na zona Oeste do Rio. Eles afirmaram que a milícia controla o transporte alternativo, os serviços de fornecimento de gás e TV a cabo e negocia segurança particular, entre outras atividades.

    Segundo os promotores, o inquérito para investigar a atuação da milícia em Campo Grande surgiu exatamente pelo grande número de homicídios cometidos por policiais contra policiais. Um dos promotores destacou a questão política que envolve as milícias a afirmou que, em época eleitoral, o território é dividido e alguns candidatos são proibidos de realizar campanhas em locais pré-determinados de outros candidatos, integrantes da milícia.

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