Alencar pedirá a Lula aceleração em programa nuclear

O vice-presidente José Alencar discutirá com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva uma aceleração no programa nuclear da Marinha, desenvolvido no Centro Experimental Aramar, em Iperó, interior de São Paulo. O objetivo imediato seria antecipar o funcionamento de um reator nuclear de testes, previsto para ficar pronto em 2014.

Agência Estado |

Com isso, será possível chegar mais rápido à construção do submarino nuclear brasileiro, objetivo final do projeto e ainda sem prazo definido.

"Precisamos do submarino nuclear para defender a costa brasileira", disse Alencar, que visitou hoje o projeto. "Temos um mar muito grande e precisamos ter força para desencorajar qualquer ameaça." Na cidade, a Marinha completou o desenvolvimento do ciclo do combustível nuclear, com o enriquecimento de urânio, e trabalha na fase de desenvolvimento da produção de energia nucelar.

Com os recursos liberados em 2007 por Lula, a força naval contratou e iniciou a construção das instalações do Laboratório de Geração Núcleo-Elétrica (Labgene), onde será montado o reator. Quase todos os componentes foram construídos e estão guardados no centro, esperando o momento da montagem.

No mesmo local, será instalada a plataforma com as turbinas de geração, cuja tecnologia é semelhante às das máquinas de propulsão nuclear que equiparão o navio submerso. O vice-presidente conheceu detalhes das obras e considerou que a proposta é inadiável. "Não podemos retardar mais e é preciso abreviar um pouco o cronograma." Alencar disse que o presidente sabe da importância do plano, não só para tornar possível a construção do submarino, mas também como alternativa à produção de energia elétrica.

Opção

"A energia nuclear é uma opção energética para o País e temos isso até como dispositivo constitucional." O Brasil, segundo ele, tem compromisso de usar a energia com fins pacíficos "para fortalecer a soberania e a integração nacional". O projeto recebeu este ano cerca de R$ 80 milhões, empregados também na construção da usina de conversão do urânio natural beneficiado, conhecido como yellow cake , no hexafluoreto de urânio, um gás que depois se transforma no urânio enriquecido.

Hoje, esse processo é feito no exterior - parte no Canadá e outra na França. A usina, que deve operar em 2010, produzirá 40 toneladas de hexafluoreto por ano, o suficiente para atender às necessidades do centro. Com a tecnologia, será possível construir usinas comerciais. Lula assegurou a liberação de R$ 1,04 milhão ao longo dos próximos oito anos, prazo que Alencar quer encurtar. "Precisamos desses recursos num prazo mais curto", disse, na presença do comandante da Marinha, almirante-de-esquadra Júlio Soares de Souza Neto.

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