Alencar desiste de candidatura às eleições de outubro

BRASÍLIA (Reuters) - O vice-presidente José Alencar (PRB) anunciou nesta sexta-feira que não sairá candidato nas eleições de outubro. Ele havia demonstrado interesse em disputar o Senado e seu nome havia sido cogitado para o governo de Minas Gerais. Alencar alegou que não seria correto sair candidato porque ainda precisa passar por sessões de quimioterapia para tratar do câncer abdominal. A decisão foi tomada na noite de quinta-feira, após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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"Me sinto curado, mas cientificamente não posso dizer que estou curado", afirmou Alencar em entrevista convocada para o anúncio.

Alencar lembrou que o avanço da quimioterapia tem apresentado bons resultados. A continuidade do tratamento, segundo o vice-presidente, foi aconselhada pelos médicos por motivo de precaução.

"Acho que não é honesto colocar o meu nome e sair para fazer uma quimioterapia."

Alencar, de 78 anos, trava uma batalha contra um câncer no abdome há 12 anos e já realizou 15 cirurgias.

Sobre a pré-candidata à sucessão presidencial pelo PT, Dilma Rousseff, disse que ela é "bem-informada", "dedicada" e executou um trabalho "admirável" à frente da Casa Civil. Afirmou, no entanto, que ela precisa aprimorar a comunicação.

Ele elogiou o discurso da ex-ministra na última quinta-feira, em evento do PCdoB, mas comentou que Dilma costuma se estender ao explicar detalhes de suas propostas.

"Os discursos devem ser como os vestidos das mulheres: nem tão curtos que nos escandalizem, nem tão longos que nos entristeçam", brincou.

Quanto à disputa pelo governo de Minas Gerais, Alencar declarou estar à disposição para ajudar na definição. No Estado, a base aliada tem três pré-candidatos: os ex-ministros Hélio Costa (PMDB) e Patrus Ananias (PT), além do ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel (PT).

Com a decisão de permanecer no governo até o fim do ano, Alencar fica livre para substituir o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em suas viagens ao exterior. Ele assume o posto já no próximo domingo, quando Lula partirá para os Estados Unidos, onde em Washington participa de reunião de cúpula sobre segurança nuclear convocada pelo governo norte-americano.

Pelas regras eleitorais, não há necessidade de o vice-presidente da República se desincompatibilizar do cargo para concorrer às eleições. A exigência é que ele não substitua o presidente em suas ausências nos seis meses anteriores ao pleito, ou desde abril. Se houver a substituição, o vice fica inelegível.

Pela linha sucessória, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), assumiria a Presidência no domingo, se Alencar fosse concorrer e pela impossibilidade do presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), que deve ocupar a vice na chapa de Dilma.

(Reportagem de Maria Carolina Marcello)

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