Além de processo judicial, padres enfrentam processo eclesiástico

Já suspensos da vida religiosa, eles podem até ser demitidos definitivamente do estado clerical

Mariana Lima, enviada especial a Arapiraca |

Além de enfrentar a partir desta sexta-feira (8) o processo judicial pelos crimes de abuso e exploração sexual de menores, os padres Luís Marques, Raimundo Gomes e Edilson Duarte enfrentam também um processo eclesiástico que está em andamento desde o ano passado. Já suspensos da vida religiosa, se condenados pelos abusos aos três ex-coroinhas, os padres podem até ser demitidos do estado clerical e impedidos de celebrar.

O bispo da diocese de Penedo, à qual pertence Arapiraca, Dom Valério Brêda, explica que o processo eclesiástico é independente do processo criminal e segue as normas do Direito Canônico. Em suas palavras, “bem mais severo que o ordenamento jurídico brasileiro” em casos de abuso sexual de crianças ou adultos.

Todos os atos do processo canônico que cabiam à diocese foram iniciados em julho do ano passado, concluídos no início deste ano e enviados ao Vaticano, para a Congregação da Doutrina da Fé, tribunal responsável por casos de abuso sexual de crianças e adultos. Esta Congregação tem origem na antiga Inquisição medieval e teve como prefeito entre 1981 e 2005 o cardeal Joseph Ratzinger, atual papa Bento XVI.

Dom Valério acredita que o caso será concluído até o fim deste ano e não precisa, necessariamente, acompanhar o resultado do processo criminal. “Em maio ou junho deste ano um padre foi inocentado da acusação de abuso sexual pela justiça do Estado, mas a Santa Sé o acusou. A sentença está sendo preparada”.

O bispo não estará presente no Juizado da Infância, em Arapiraca, onde acontece o julgamento dos padres. Porém, segundo ele, isso não quer dizer que não reconheça a importância do ato. “A ação judicial é uma ação autônoma, legítima, respeitável e respeitada. A Igreja se coloca sempre ao lado de quem é vítima. Se houve crime, deve haver punição. Espero que seja feita justiça”. Dom Valério também não confirma a presença de dois representantes do Vaticano na sessão, embora o juiz e o promotor do caso tenham afirmado que sim.

O advogado e porta-voz dos padres Luiz Marques e Raimundo Gomes – que perderam o título de monsenhor após a suspensão, mas continuam sendo chamados assim pela população de Arapiraca – disse que seus clientes estão bastante ansiosos com ambos os processos. “Principalmente monsenhor Raimundo, que precisa provar sua inocência para voltar à vida eclesiástica”.

“Monsenhor Luiz”, ainda segundo o advogado, não tem tanta esperança de absolvição no processo canônico, já que o vídeo onde aparece fazendo sexo com o ex-coroinha Cícero Flávio Vieira, com 19 anos à época, é prova concreta de cometimento de pecado mortal contra a castidade. No momento do crime, o padre tinha 82 anos.

“Ambos estão com a vida social destruída, afastados de tudo. É uma situação péssima”, desabafa o advogado, referindo-se a um clima de condenação prévia adotado por parte da sociedade.

No processo criminal que começa a ser julgado nesta sexta-feira , a linha de defesa adotada por Maia será a negativa de autoria, já que a única prova existente nos autos é o vídeo onde monsenhor Luiz aparece em uma relação sexual consentida com um rapaz maior de idade. “Não existem provas concretas de exploração sexual no processo. É a palavra dos rapazes contra a dos meus clientes, e eles negam veementemente todas as acusações”.

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