Além de invadir Funasa, índios fecham rodovia no PR

Enquanto um grupo de índios voltou a invadir hoje a sede da Fundação Nacional da Saúde (Funasa) em Curitiba, outro grupo bloqueou o tráfego na BR-277, na região de Nova Laranjeiras, a cerca de 380 quilômetros de Curitiba, no centro-sul do Paraná. Os índios pedem a reativação do contrato com uma empresa terceirizada para a cessão de 35 veículos que levam médicos e enfermeiros às aldeias e, de lá, trazem os pacientes para atendimento especializado, além de 120 motoristas para o trabalho ininterrupto.

Agência Estado |

O bloqueio na BR-277, uma das principais ligações entre Curitiba e o oeste do Paraná, prosseguiu por toda a tarde. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal, as filas não chegaram a ser muito longas, porque os policiais e os funcionários da concessionária Rodovia das Cataratas passaram a informar os motoristas para utilizar um desvio que aumenta em 180 quilômetros a viagem. A assessoria da concessionária disse que seriam tomadas as "medidas judiciais cabíveis".

Na invasão da sede da Funasa, a entrada para os funcionários do núcleo do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que trabalham no mesmo prédio, além dos que servem à Funasa, foi permitida somente por volta das 12h30. Foi feito um acordo com a coordenação da Funasa e os cerca de 100 índios, muitos deles mulheres e crianças, concentraram-se no oitavo andar, onde estão os gabinetes do órgão federal.

Os índios querem contato com o presidente da Funasa, Francisco Danilo Bastos Forte, e a liberação de R$ 327,5 mil por mês para a contratação dos veículos. "Só precisamos de uma resposta positiva para sair", disse o cacique Márcio Lourenço, da Reserva Laranjinha, de Santa Amélia, no norte do Paraná. Segundo a assessoria de Comunicação do órgão, em Brasília, qualquer atitude dependeria das negociações a serem realizadas pela coordenadoria regional. O contrato encerrou-se em 23 de maio e não foi renovado. "A gente está com contingenciamento de recursos", justificou o coordenador regional da Funasa, Vinícius Reali Paraná.

De acordo com Lourenço, os caciques estiveram em Curitiba na sexta-feira com a esperança de que o presidente da Funasa estivesse presente ao encontro. A coordenação teria proposto, então, que cinco representantes fossem a Brasília para uma reunião, mas os índios queriam mandar dez, e não houve acerto. "Decidimos que parte das lideranças ficaria em Curitiba e outra parte iria para a BR-277", acentuou o cacique.

No dia 27 de maio, um grupo de índios já tinha invadido o mesmo prédio, passando uma noite no local. Naquela ocasião, eles conseguiram a liberação de R$ 824 mil, referente a dois meses de atraso no pagamento à Associação de Defesa do Meio Ambiente de Reimar, Organização Não-Governamental (ONG) que promove o atendimento médico nas aldeias. O pedido de renovação do contrato com as terceirizadas que alugam os veículos também fazia parte das reivindicações, mas as discussões sobre esse assunto tinham sido postergadas.

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