Mais do que o sotaque - ameno depois de 40 anos de São Paulo - o jeito de encarar a função de vice denuncia a origem mineira da engenheira Alda Marco Antonio, de 64 anos, que compôs chapa com o prefeito reeleito Gilberto Kassab, do DEM. Vice bom é vice discreto, define-se a líder do PMDB paulista.

No comedimento, Alda, mineira de Uberaba, guarda semelhanças com o passado do próprio Kassab - surpresa dessas eleições ao se tornar o centro das atenções depois de anos de atuação partidária, nos bastidores da política.

Sem admitir qualquer pretensão nos quadros da nova gestão do democrata, Alda garante estar preparada para assumir o cargo de prefeita. "Não que eu deseje isso", apressa-se a esclarecer. "Kassab vai ficar os quatro anos, mas, se acontecer alguma coisa, estou preparada desde hoje para governar São Paulo." E promete: "Se eu vier a me tornar prefeita, vou me dedicar 24 horas por dia. Serei tão ativa quanto Kassab." Por hora, a peemedebista dispensaria alterações no time de secretários do democrata, caso assumisse o poder. "A equipe é tão boa que com certeza seria a mesma."

Apesar de Alda e Kassab terem sido secretários do ex-prefeito Celso Pitta, atual PTB (1997 - 2000), os dois só se conheceram pessoalmente depois de fechada a aliança PMDB-DEM, nessas eleições de 2008. Kassab trabalhou no primeiro um ano e três meses da gestão Pitta. Alda, no último um ano e oito meses. Kassab considera um erro sua passagem pela administração de Pitta - denunciado pelo Ministério Público por corrupção passiva, evasão de divisas, formação de quadrilha, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Alda não se arrepende.

"Os problemas não passaram perto de mim. Não posso me arrepender. Politicamente, Pitta foi correto comigo", justifica-se a vice. E diz se orgulhar de sua atuação à frente da Secretaria de Assistência Social de Pitta. "Foi uma administração profícua, de muito trabalho e necessária para a cidade." Alda preparou as estruturas da área social e educacional da cidade para a implantação da Lei de Diretrizes e Bases (LDB) e a Lei Orgânica da Assistência Social (Loas), que precisavam estar em vigor até o fim de 2000.

Afilhada política do ex-governador Orestes Quércia, do PMDB, Alda parece não se incomodar nem mesmo com as críticas dirigidas ao seu padrinho. No 1º turno, o agora aliado de Kassab, o ex-governador tucano Geraldo Alckmin, colocou Quércia no rol de parceiros do democrata, ao lado do ex-prefeito Paulo Maluf (PP) e de Pitta e chegou a citar Alda, insinuando que seriam más companhias. "Foi o calor de campanha", minimiza Alda. "Falar que está na companhia do Quércia não ofende ninguém. Não ofendeu a Quércia, não ofendeu a mim." Sobre o apoio do PSDB nesse 2º turno, foi sucinta: "Acho que eles estão certos agora."

Campanha

Apesar de, com modéstia, dizer não ter feito "nada de excepcional" na campanha, Alda criou fórmulas alternativas para pedir votos fora de eventos formais ao lado de Kassab. Com fotografias antigas nas mãos, partiu para o reencontro de dezenas de ex-meninos e meninas de rua atendidos por projetos sociais do governo de Quércia (1987-1990), do qual foi secretária estadual do Menor. "Fiz para anunciar a esses amigos que o PMDB estava apoiando Gilberto Kassab e eu seria a vice", explica. "Encontrei as crianças transformadas em pais e mães de família, gente que conseguiu crescer na vida."

Na base da conversa, garantiu a preferência de seus vizinhos e dos taxistas das redondezas de onde mora. De tanto pedir votos aos amigos pelo telefone, brinca que ganhou um calo na orelha. "Fui secretária em três governos do Estado e em uma gestão municipal, então ninguém tem mais ex-colegas do que eu", conta. Nas ligações, a vice pede até para que os interlocutores não viajem para fora da cidade no dia da eleição. "É um voto a mais."

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