Alckmin vai à Colômbia conhecer projetos de Bogotá

Mesmo com a afirmação que vem sendo feita pelos pré-candidatos à Prefeitura de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM) e Geraldo Alckmin (PSDB), de que a possibilidade de uma aliança entre suas legendas não está descartada, cada um empenha-se em trilhar seu próprio caminho nessas eleições municipais. Depois do anúncio de que está no páreo, Alckmin já tem agendada uma viagem a Bogotá, na Colômbia, para checar os avanços realizados na cidade, que reduziu drasticamente os índices de violência, equacionou o caos no trânsito e instituiu ações voltadas à cidadania e à auto-estima dos cidadãos.

Agência Estado |

A possibilidade remota de uma aliança no primeiro turno é reforçada pela última conversa que Kassab e Alckmin tiveram pessoalmente, na quinta-feira. No encontro, os dois falaram claramente na disposição de disputarem o pleito e se comprometeram a estarem unidos num eventual segundo turno. Pelas contas das duas legendas, com a pulverização de partidos nas eleições, que poderá ter cerca de dez concorrentes à Prefeitura da capital paulista, é certo que haverá segundo turno.

Como democratas e tucanos estão bem nas pesquisas, a previsão é de que um dos dois vá para o segundo turno, provavelmente com Marta Suplicy (PT). "No segundo turno, a aliança é certíssima", afirma uma fonte com acesso à cúpula tucana.

Uma mostra de que Alckmin não pretende abrir mão da cabeça de chapa é a preparação que ele tem feito em torno do tema cidades. "Ele tem estudado muito os temas que afligem as grandes cidades, como trânsito, educação, segurança, saúde, tem dado aula de gestão de cidades, estudou muito as cidades de Berlim e Hamburgo, na semana passada esteve dois dias em Curitiba ministrando palestra e se inteirando do sistema de transporte e até o final do mês de maio irá a Bogotá, para conhecer de perto os avanços realizados naquela cidade", diz um dos interlocutores do pré-candidato do PSDB à Prefeitura.

Em Bogotá, Alckmin poderá reunir-se com o ex-prefeito Enrique Peñalosa, responsável pela adoção de grande parte das medidas que resultaram nos avanços da capital de oito milhões de habitantes. Dentre as medidas que Peñalosa implantou, estão a instituição de um rodízio que retirou de circulação quase 40% dos veículos nos horários de pico, a ampliação de ciclovias e a construção do Transmilênio, um tipo de transporte intermediário entre o ônibus e o metrô, inspirado nos corredores de transporte de Curitiba, o Ligeirinho.

Apoio de Serra

Já o prefeito Gilberto Kassab também tem se empenhado em implantar medidas e propor soluções que tenham impacto na vida do paulistano. Nos últimos meses, ele tem contato com o apoio do governador José Serra (PSDB) nas parcerias de projetos na cidade, como o Hospital do M'Boi Mirim, um dos mais modernos na área pública e que atenderá uma das áreas mais populosas da cidade, a zona sul, tradicional reduto petista.

Aliados do ex-governador Alckmin acreditam que se confirmar mesmo o cenário de duas candidaturas do PSDB e DEM nessas eleições, o governador Serra, que é um homem de partido, não deixará de dar apoio à sua legenda. Entretanto, para os aliados de Kassab, o cenário é diferente. Eles acreditam que o governador não deixará de apoiar, mesmo nos bastidores, a lealdade que o prefeito demonstrou até agora.

Em carta aberta divulgada hoje, o líder do DEM na Câmara Municipal, Carlos Apolinário, questiona: "Vale a pena ser leal?", numa referência ao lançamento da pré-candidatura Alckmin na noite de ontem. No manifesto, Apolinário lista ainda todos os apoios que seu partido deu aos tucanos, nas eleições do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de José Serra e do próprio Alckmin.

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