Alckmin tenta retomar espaço no PSDB

A tentativa de reconstruir lentamente a liderança dentro do PSDB moveu o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin a dar um apoio partidário e estratégico ao prefeito reeleito, Gilberto Kassab (DEM), no segundo turno dessas eleições na capital paulista. Alckmin fez uma opção clara, como homem de partido: permanecer na legenda e juntar os cacos para tentar disputar as eleições em 2010 - não se sabe ainda em que cargo.

Agência Estado |

O cientista político Carlos Melo, doutor pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), afirma que Alckmin se viu sem escolha partidária, no caso de deixar de ser tucano. As alternativas eram escassas. "O PSB está na base do Lula, o PTB também, ainda que seja relativamente independente em São Paulo, o DEM não é alternativa. O PPS lhe daria uma estrutura pequena. Então, ele não tinha alternativa. Se quiser continuar na política tem de engolir sapo", afirma Melo.

Apesar dos esforços, o cientista político afirma que o ex-governador de São Paulo perdeu não apenas a eleição, mas espaço no PSDB. Alckmin insistiu em um processo para o qual foi alertado que seria "complicado" e "inviável", e teve mau êxito. "Ele já havia feito uma análise incorreta do seu próprio desempenho em 2006, quando foi candidato a presidente (contra o presidente Lula). E não levou a eleição para o segundo turno (por méritos próprios), mas foi para a etapa final do pleito por uma série de fatores externos à candidatura dele. Ele conseguiu o prodígio de ter menos votos no segundo turno do que no primeiro e olha que tinha sido governador por seis anos", diz Melo.

Na avaliação da cientista política e socióloga Lourdes Sola, da Universidade de São Paulo (USP), Alckmin "jogou muito bem" ao apoiar Kassab no segundo turno, dentro do "espírito partidário". O ex-governador usou o que Lourdes classifica de "generosidade estratégica", quando se declara apoio, como perdedor e, de alguma maneira, "rende algum tipo de credibilidade aos olhos do eleitor". "Fazer mesquinharia, quando você é perdedor, é burrice", emenda.

Segundo Lourdes, Alckmin pode querer, com isso, acumular forças para disputar o governo de São Paulo em 2010. "Acho que vai depender muito do jogo político dentro do PSDB e das lideranças do partido. Alckmin poderia ter o apoio do próprio Serra(governador do Estado paulista José Serra), do Kassab. O Alckmin tem ainda muito mais 'recall' eleitoral do que o Goldman (Alberto Goldman, vice-governador), por exemplo", declara.

Carlos Melo discorda de Lourdes. Conforme o cientista político, não há no ex-governador muita força política para dispor o nome novamente ao governo do Estado. "Eu não vejo o Serra com disposição de dar a vaga a Alckmin, que foi adversário dele dentro do partido, eles não são companheiros. Se desse essa chance a Alckmin, o Serra, de alguma forma, reabilitaria o Alckmin depois de ele ter feito dois processos superdesgastantes contra ele", acredita.

Já com relação a uma possível candidatura a senador, Alckmin teria de enfrentar "adversários" como o ex-governador Orestes Quércia, que deve se lançar pela chapa PMDB-DEM-PSDB, e os senadores Romeu Tuma (PTB) e Aloizio Mercadante (PT), que tentariam a reeleição. "Não é uma coisa tão trivial." Então, sobraria para Alckmin a opção da Câmara dos Deputados. "Seria uma eleição certa, com uns 500 mil votos, mas não para um político que foi candidato à Presidência da República e governador por dois mandatos. Há políticos com um currículo muito menos robusto que o dele e que têm a mesma alternativa", julga.

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