Albergues para moradores de rua são insuficientes no Distrito Federal

No último final de semana, dois moradores de rua foram queimados

Agência Brasil |

Com uma população de 2.365 moradores de rua, o Distrito Federal (DF) conta apenas com 500 vagas no único albergue da cidade. O déficit, no entanto, não é tão grande se for levado em consideração o fato de que muitos deles se recusam ficar em albergues, devido ao histórico de violência nesses ambientes.

O problema, segundo a coordenadora de Proteção Social Especial do DF, Adriana Carvalho, é que a violência e o preconceito contra esses moradores é muito maior nas ruas. No último final de semana, dois deles foram queimados por um grupo de jovens em Santa Maria, uma das regiões administrativas mais carentes do DF. Um dos sem-teto morreu ontem (26).

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Os dois foram queimados no último dia 25, por volta das 20h, segundo informou o delegado da Polícia Civil Diogo Cavalcante. Em um primeiro momento, um grupo sete jovens se aproximou das vítimas e ateou fogo em um sofá usado por moradores de rua. Assustados, boa parte dos moradores foram embora. Os dois que ficaram no local – um de 26 anos e outro de 42 anos – acabaram sendo queimados por três jovens que retornaram ao local, uma hora e meia depois.

O sem-teto mais jovem morreu às 13h30 de ontem, com 60% do corpo queimado. O outro permanece internado na Seção de Queimados do Hospital Regional da Asa Norte, com cerca de 20% do corpo queimado.

“Não descartamos nenhuma hipótese e tudo está sendo investigado. Mas o fato de os jovens usarem bicicleta em ambas as aparições amplia nossas suspeitas de que são moradores de Santa Maria”, disse à Agência Brasil o delegado Cavalcante.

“Temos muita dificuldade em convencer os sem-teto a ficarem no albergue da cidade. A resistência é grande. Alguns têm barracos, estrutura de comunidade, e mais da metade trabalham. Há inclusive casos de moradores de rua que recebem salários de R$ 1 mil, mas não têm condições de pagar o aluguel cobrado em Brasília”, disse Adriana Carvalho à Agência Brasil. “Há também casos de pessoas que vêm a Brasília para resolver problemas e, devido ao alto custo dos hotéis, acabam dormindo na rua”.

Brasília conta com apenas um albergue para sem-teto, situado no bairro Areal, próximo a Águas Claras. “Ele pode abrigar até 500 pessoas, e oferece refeições e facilidades para a higiene. É um lugar de fácil acesso porque há pontos de ônibus na proximidade. Mas, havendo interesse manifesto deles durante nossas abordagens, nós nos encarregamos de transportá-los”, disse a coordenadora de Proteção Social Especial, entidade ligada à Secretaria de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda (Sedest).

De acordo com a Sedest, há, no DF, uma equipe de 28 educadores sociais fazendo abordagens com o objetivo de acolher sem-teto. A coordenadora informou que, ainda no primeiro semestre, mais quatro albergues terão suas obras iniciadas. Segundo o Censo da População em Situação de Rua do Distrito Federal, há 2.365 moradores de rua no DF.

“Destas, 20,5% pernoitam em instituições de acolhimento e 79,5% pernoitam em logradouros, 81% tem idade superior a 18 anos, 76,4% são homens, 16,8% sobrevivem de mendicância e 17,5% tem o trabalho como principal fonte de renda, disse Adriana.

De acordo com o Censo, 13,6% da população adulta declararam fazer uso contínuo de drogas. “Mas há uma pesquisa mais atualizada, da UnB [Universidade de Brasília], de 2011, mostrando que mais de 52% dessa população afirmam usar drogas, e que 44,44% usam drogas ilícitas. O crack é usado por 9,2% delas”, completou.

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