Al Pacino abre Festival de Roma com lições sobre interpretação

Roma, 22 out (EFE).- O ator americano Al Pacino abriu hoje o Festival de Roma, compartilhando com público e jornalistas sua paixão pela interpretação, uma arte que, segundo disse, é a busca da verdade, pelo menos para os atores.

EFE |

"Todos pensam que os atores são mentirosos. Costumam dizer: 'Pare de atuar'. Mas acho que se atua apenas na vida, enquanto, na arte da interpretação, persegue-se a verdade".

Al Pacino fez essas observações durante uma entrevista coletiva aberta ao público antes da projeção do filme "Chinese Coffe", que dirigiu em 2000 e que até hoje nunca havia sido exibido na Europa.

Durante a entrevista coletiva, o ator falou apenas de cinema.

Mas, além de expressar sua grande paixão, destacou a importância que tem para ele a vida privada, uma vez que o tempo todo destacou "a importância de se saber deixar um personagem quando as filmagens" de um longa terminam e chega a hora de volta para família.

Brincando sobre o assunto, o ator e diretor disse ainda que costuma gostar mais "das horas de trabalho européias, sobretudo das horas francesas," que das americanas.

Para o intérprete de Michael Corleone na saga de "O Poderso Chefão", filmagens de muitas horas ininterruptas desgastam as equipes e, portanto, "não são boas para os filmes".

Depois de rir do quanto suas declarações poderiam comprometê-lo junto aos produtores, Al Pacino discorreu sobre sua experiência na famosa escola de atores Actors Studio, em Nova York, onde estudou interpretação com Lee Strasberg.

"O Actors Studio é uma casa e um lugar para os atores", declarou o astro, que hoje receberá o prêmio Marco Aurélio do Festival de Roma, uma homenagem a toda sua carreira e que se soma a um Oscar, as três Globos de Ouro e a um Leão de Ouro (Festival de Veneza).

O ator, com uma longa e sólida carreira no cinema, falou ainda de sua paixão pelo teatro, do quanto "ama" o público dessa arte e de como se sente em "família" quando sobe no palco com seus colegas de elenco.

Além do "Chinese Coffee", Al Pacino exibirá hoje algumas imagens de seu novo trabalho como diretor e ator: "Salomaybe", filme que se baseia na peça "Salomé", de Oscar Wilde.

"Fiquei cativado quando vi 'Salomé' pela primeira vez. Não sabia sequer que era uma obra de Wilde e queria testar realizar um filme com esse estilo", contou.

Perguntado sobre o futuro do cinema e o momento difícil que a indústria atravessa devido às novas tecnologias, Al Pacino se mostrou otimista.

"O cinema é uma arte ainda jovem e com formas de expressão infinitas", concluiu o ator, a quem o Festival de Roma também dedicou uma retrospectiva com seus melhores longas. EFE alg/sc

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