Ajuste do compulsório terá efeito maior sobre mercado de títulos

Por Renato Andrade SÃO PAULO (Reuters) - O ajuste promovido pelo Banco Central nesta quinta-feira no recolhimento compulsório exigido dos bancos terá um efeito prático sobre o mercado de títulos públicos, evitando assim distorções na formação de taxas de juros e no processo de rolagem da dívida pública.

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De acordo com a medida anunciada pela manhã, os bancos que recolhiam em dinheiro cerca de 40 bilhões de reais ao BC, referentes aos chamados compulsórios adicionais sobre depósito a prazo, à vista e de poupança, passarão a fazer esse recolhimento usando títulos públicos a partir de 1o de dezembro.

No limite, a medida representaria um aumento de liquidez para os bancos de 40 bilhões de reais mas, na prática, esse dinheiro não deve ser injetado no mercado. O uso de títulos para cobrir a obrigação, no entanto, evitará distorções que poderiam acontecer no mercado por conta de uma alteração dos compulsórios anunciada pelo BC no final de outubro.

No dia 30 do mês passado, o Banco Central determinou que a partir desta sexta-feira, 14 de novembro, 70 por cento dos depósitos a prazo que os bancos são obrigados a recolher à autoridade monetária passarão a ser feitos em dinheiro e não em títulos. Na prática, essa alteração eliminou um mercado cativo de cerca de 28 bilhões de reais de títulos públicos, o que poderia afetar as colocações de papéis pelo Tesouro Nacional e prejudicar a formação das taxas de juros.

Com a medida anunciada nesta quinta-feira, o BC evita a possibilidade de ocorrência dessa distorção.

O próprio BC já havia explicado, no início da manhã, que a medida deveria recompor os volumes de compulsórios recolhidos em títulos e, ao mesmo tempo, preservar a liquidez do mercado.

O compulsório é um dinheiro que os bancos são obrigados a manter depositados no Banco Central. Parte desses recursos não é remunerada, mas para o chamado compulsório adicional, o BC pagava a variação da taxa Selic.

Agora, a remuneração do adicional vai depender do título que cada banco entregar ao BC.

Desde que a crise financeira global se acentuou, em meados de setembro, o Banco Central já tomou diversas medidas para minimizar os impactos da turbulência internacional sobre o mercado de crédito doméstico.

As regras sobre o recolhimento compulsório já foram ajustadas algumas vezes. Além disso, o BC voltou a vender contratos de swap cambial tradicional e a atuar no mercado à vista de câmbio, bem como garantir recursos para o financiamento do comércio exterior.

(Edição de Alexandre Caverni)

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