Air France desmente demora em reagir no acidente com AF 447

PARIS (Reuters) - O diretor geral da Air France, Pierre-Henri Gourgeon, negou que suas equipes tenham demorado a reagir no caso do acidente com o voo Rio de Janeiro-Paris que terminou com a queda do avião no Atlântico, no último 31 de maio. Em entrevista ao Le Figaro a ser publicada na quinta-feira, ele reafirma que o congelamento dos tubos de velocidade pitot pode ter sido um fator que contribuiu para a catástrofe do voo AF 447, mas que isso não basta para explicar o acidente.

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Gourgeon desmentiu a ideia de que a empresa disponha de uma gravação secreta do piloto do avião, morto com as outras 227 pessoas que estavam a bordo, conforme diz um dos rumores que circulam sobre a investigação.

"É certeza: não foi ouvida nenhuma gravação de conversa entre o voo AF 447 e os aviões que circulavam nas proximidades", disse.

Gourgeon diz na entrevista que o centro de controle da empresa só tomou conhecimento da existência de um problema aos poucos.

O Escritório de Investigações e Análises (BEA), em seu primeiro relatório sobre a investigação, destacou que mais de seis horas se passaram entre o último contato feito com o Airbus A330 da Air France e o momento em que foi dado o alerta.

"Frequentemente perdemos contato com aviões que sobrevoam a Rússia, a África e os oceanos, e os reencontramos depois. Acontece de aviões sofrerem panes de rádio", explicou Gourgeon.

"Entre 6h30 e 8h30 (horário francês), ainda é cedo para que o avião seja captado pelos centros de Madri ou de Brest."

O desaparecimento do avião só foi cogitado depois de ser feita a ligação entre as muitas mensagens eletrônicas de manutenção recebidas anteriormente e a longa ausência de comunicação do avião.

"Gilbert Rovetto, diretor geral adjunto de operações, me telefonou então e anunciou que os centros de controle confirmaram, um depois de outro, não terem tido contato com o voo AF 447. Isso significava que teríamos de fato perdido um avião", contou o diretor geral da Air France.

Segundo ele, para o técnico que, pela manhã, analisou as 24 mensagens automáticas enviadas pelo avião, nada indicava a gravidade da situação.

Com respeito às críticas sobre o tempo levado pela empresa para contatar as famílias, Gourgeon observou que havia muitas dificuldades.

"Às vezes topávamos com homônimos. É muito complicado, tudo isso é feito no desespero. É abominável", disse ele.

Para Gourgeon, os problemas enfrentados pelo AF 447 não se devem a negligência. "Não existe contradição entre a segurança e a economia. Quando melhoramos a segurança, melhoramos a imagem da companhia e, logicamente, melhoramos sua performance econômica", disse ele.

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