O líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), definiu como tensa e constrangida a reunião da Executiva Nacional do partido na qual foi decidida a concessão de prazo para defesa do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, antes de a cúpula votar em definitivo se o expulsa ou não da legenda. O governador é acusado, em inquérito da Operação Caixa de Pandora, de comandar esquema de recebimento e distribuição de propina a aliados.

A investigação é comandada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Durante a reunião, José Agripino Maia, o senador Demóstenes Torres (GO) e o deputado Ronaldo Caiado (GO), líder do partido na Câmara dos Deputados, defenderam a expulsão sumária de Arruda do partido. O governador ainda teria, nesta hipótese, direito de defesa, mas responderia ao processo fora da legenda. Apesar de os três terem defendido a mesma tese, o presidente nacional do partido, deputado Rodrigo Maia (RJ), não chegou a colocar esta possibilidade em votação.

"O presidente Rodrigo Maia avocou para ele e decidiu sozinho. Tem que ter coragem, mas faltou ao partido", criticou o senador Demóstenes Torres, ao final da reunião. Já José Agripino, apesar de também ter sido voto vencido, afirma que Rodrigo Maia não colocou a questão em votação porque era "explícita" a vontade da maioria de deixar a decisão para o dia 10 de dezembro. "Eu preferia que o partido tivesse tomado a decisão que formulamos (de expulsão sumária), mas respeitamos a posição do partido. Se tivéssemos tido o apoiamento de outros parlamentares, poderia ter havido sobrevida à nossa tese", disse o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN).

O ponto mais tenso da reunião foi, segundo senadores, uma discussão entre Torres e o senador Heráclito Fortes (PI), este último defensor da abertura de prazo para defesa do governador perante os correligionários. Porém, os outros membros da Executiva Nacional não compraram a briga e a troca de farpas logo foi suspensa.

Outro momento de constrangimento foi a defesa explícita à permanência de Arruda no partido feita pelo deputado federal Osório Adriano (DF) e pelo deputado licenciado Alberto Fraga (DF), atual secretário de Transportes do governo do Distrito Federal. De acordo com relato de parlamentares presentes à reunião, os dois elogiaram a gestão Arruda e defenderam que ele não fosse retaliado pela legenda.

Ainda na reunião, um parlamentar questionou a Rodrigo Maia se a Executiva Nacional não iria discutir a situação do vice-governador do Distrito Federal, Paulo Octavio, também citado no inquérito como um dos beneficiados do esquema de recebimento de propina. O presidente do partido explicou, então, que, até aquele momento, não havia recebido proposta de expulsão do vice-governador.

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