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BRASÍLIA - O líder do DEM no Senado, Agripino Maia (RN), fez um paralelo com a ditadura militar ao dizer que a produção de um dossiê com gastos do ex-presidente FHC traz de volta o estado de exceção. Ele provocou a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) alegando que, numa antiga entrevista, ela disse que mentia muito quando foi presa pelo regime militar.

"Vossa Excelência disse que mentia pra sobreviver. Mentia, mentia muito", disse Agripino.

Ele ainda citou o caso do caseiro Francenildo Costa, que teve seu sigilo bancário quebrado no episódio que culminou com a queda do então ministro Antônio Palocci. E disse que um "Estado policialesco" trazia de volta o regime de exceção.

"Tenho medo de estarmos voltando ao regime de exceção. O Estado policialesco retoma o regime de exceção. Tivemos recentemente o caso Francenildo. O Palocci teve que pedir demissão", citou. "O dossiê é a volta ao regime de exceção, é o uso do Estado para encostar pessoas no canto da parede", completou.

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), rebateu as provacações de Agripino e disse que não entendeu tal associação. Ele aproveitou a deixa e criticou o Democrata, lembrando que o mesmo foi governador no período militar.

"Se o Agripino tem autoridade de perguntar como quem foi governador no regime militar ela tem autoridade para responder como quem lutou contra o regime militar", disse.

A líder do bloco de apoio ao governo, senadora Ideli Salvatti (PT-SC), foi ainda mais dura, e destacou que trazer trechos de entrevistas antigas é um demérito para a comissão. Lembrou ainda que a Constituição e a Igreja permite até mesmo matar em legítima defesa, quiçá mentir para salvar a própria vida.

Por fim ela alegou que trazer tais fatos denigre a memória dos mortos que lutaram contra a ditadura.

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