BRASÍLIA - O líder do DEM no Senado, senador José Agripino Maia (RN), entregou nesta sexta-feira ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Rio Grande do Norte a prestação de contas do diretório regional do DEM sobre as doações de campanha das eleições municipais de 2008. Agripino aparece nos autos da Operação Castelo de Areia, da Polícia Federal, como um dos recebedores de recursos da empresa Camargo Corrêa.

O senador, que é presidente do diretório do DEM no Rio Grande do Norte, nega qualquer irregularidade e garante que a doação da Camargo Corrêa foi legal e declarada à Receita Federal. Ao antecipar a entrega, a intenção é dar mais transparência ao processo de contribuições financeiras em campanhas políticas no Brasil, disse Agripino, que teria até o dia 30 de abril como prazo para entregar as prestações da campanha.

O DEM distribuiu à imprensa os demonstrativos de doações recebidas. Ao todo, 17 empresas fizeram doações à campanha do partido no Rio Grande do Norte, sendo a Camargo Corrêa a segunda que mais investiu no partido: R$ 300 mil. A primeira foi a Primo Schincariol, com R$ 450 mil em doações. O valor total de doações recebidas foi de R$ 2,75 milhões. 

O diretório regional recebeu ainda, segundo documentos entregues por Agripino, mais R$ 500 mil do Diretório Nacional de Brasília, sendo que transferiu R$ 2,83 milhões para os candidatos a prefeitos e vereadores. As contas mostram que o partido ficou com R$ 410 mil em caixa. 

Se a Polícia Federal queria investigar alguma coisa, deveria ter seguido este caminho aqui [as contas do partido]. Teria visto que nada tem de irregular, critica o senador.  

Corregedor investiga o caso

O senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) também aparece nas investigações da Polícia Federal como recebedor de R$ 200 mil da Camargo Corrêa. Ele também nega irregularidades.  

O corregedor-geral do Senado, Romeu Tuma (PTB-SP) está investigando se os senadores agiram de má fé ao receber as doações. Na segunda-feira ele irá se encontrar com a procuradora Karen Kahn para tentar obter informações sobre o relatório da Polícia Federal.

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