Agrenco vai negociar venda com três grupos

A Agrenco quebrou ontem o contrato de exclusividade de negociação com o grupo francês Louis Dreyfus Commodities, abrindo espaço para a entrada de dois outros interessados na companhia, uma das maiores exportadoras de soja do País. Na quinta-feira passada, a Noble, de Hong Kong, tornou pública sua proposta pela companhia.

Agência Estado |

A segunda - e mais nova - oferta teria vindo da multinacional suíça Glencore, segundo fontes ligadas à negociação. A Agrenco não quis revelar nomes, só disse que é um grupo estrangeiro que atua no ramo.

A empresa tem pressa em vender o controle. Ela precisa de US$ 100 milhões para capital de giro e acumula uma dívida de US$ 600 milhões. Até a semana passada, a Agrenco acreditava que a Dreyfus terminaria a due diligence (análise detalhada dos números) em dois dias, prazo que acabou não sendo cumprido. A negociação entre as duas começou no dia 24 de junho.

"No memorando de entendimento não existia data, apenas que haveria esforço para capitalizar a empresa rapidamente", disse o gerente de relações com o investidor da Agrenco, Marco Modesti. "O conselho de administração da Agrenco pediu dois dias, até porque recebeu outra proposta (da Noble). A Dreyfus aceitou, mas depois avaliou que não conseguiria terminar o processo em dois dias. Por isso, quebramos a exclusividade. O conselho tem de olhar o interesse dos acionistas."

O tempo, segundo o executivo, é crucial para a companhia, que se comunicou com a imprensa pela primeira vez desde a prisão de três de seus acionistas pela Polícia Federal, no dia 20 de junho.

Pelo acordo, a Dreyfus faria um aumento de capital de US$ 65 milhões, daria um crédito rotativo de US$ 35 milhões e uma linha de financiamento de longo prazo de US$ 150 milhões, disse Modesti. "Com esse dinheiro, consigo alongar minha dívida (boa parte da dívida da Agrenco é de curto prazo). É uma melhora significativa."

O executivo explicou que, dependendo do prazo oferecido, o conselho pode aprovar a proposta que for mais rápida, desde que seja boa para os acionistas. A análise das finanças de um grupo complexo como a Agrenco, com subsidiárias em vários países, não é simples e leva tempo. É pouco provável que o negócio saia ainda em agosto. A due diligence da Noble, por exemplo, levaria 30 dias. E a empresa ainda precisa de duas semanas para preparar a documentação.

Até ontem, a negociação das ações da Agrenco continuava suspensa. Na quinta-feira passada, a Bovespa cobrou mais informações sobre o acordo com a Dreyfus. "A Agrenco respondeu parcialmente nosso pedido. Hoje (ontem) reiteramos essas demandas. A Bovespa não gosta de suspender negócios, mas temos de resguardar a transparência para os investidores poderem negociar com tranqüilidade", afirma o diretor de relações com a empresa da Bovespa, João Batista Fraga. "Essa transparência da Agrenco não é adequada."

Marco Modesti prometeu enviar os esclarecimentos finais para a Bovespa ainda na noite de ontem. Essa foi a segunda interrupção das negociações das ações da Agrenco em menos de um mês. As informações são do O Estado de S. Paulo

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