Agentes penitenciários decidem manter paralisação em SP

São Paulo ¿ Na tarde dessa terça-feira, agentes penitenciários do Centro de Detenção Provisória CDP da Vila Independência, em São Paulo, decidiram manter a paralisação iniciada na segunda-feira, em protesto contra o ataque sofrido por um agente da unidade no domingo.

Nina Lopes |

No domingo (6), um agente penitenciário do Centro de Detenção Provisória (CDP) da Vila Independência, na zona leste da cidade, levou quatro tiros após deixar o trabalho. Os funcionários da unidade alegam que o colega tenha sofrido um atentado encomendado pelos próprios presos, em represália às rigorosas revistas das visitas nos últimos meses.

Os agente penitenciários estão muito assustados com o ataque, diz um funcionário que não quis se identificar por temer a reação dos detentos.

Desde ontem, os agentes da unidade suspenderam as visitas e os banhos de sol dos detentos. Segundo o Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional do Estado de São Paulo (SIFUSPESP), estão mantidos apenas os serviços médicos e de alimentação aos detentos.

Nesta terça-feira (8), em assembléia com o coordenador da Secretaria da Administração Penitenciária do Estado de São Paulo (SAP), Antônio Marcos Feitosa, o presidente do SIFUSPESP, João Rinaldo Machado, e o Deputado Estadual Major Olímpio, eles decidiram manter a paralisação parcial dos serviços por tempo indeterminado. Os agentes reivindicam mais segurança para a categoria, a redução da população carcerária e a imediata contratação de novos funcionários.

O CDP da Vila Independência tem capacidade para 768 presos, mas abriga cerca de 2100 detentos. Para cuidar desse número de presidiários, contamos com 115 funcionários, quando na verdade precisaríamos de 250, afirma um agente do CDP que prefere ter seu nome preservado por temer represálias. Estamos trabalhando acuados e com medo. A situação está insustentável e do jeito que está não dá para trabalhar. Por isso vamos partir para o tudo ou nada com esta paralisação, afirma.

O sindicato realizará uma assembléia na quinta-feira (10) com todos os agentes penitenciários da Grande São Paulo, onde se discutirá a adesão das demais CDPs à paralisação.


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