Agaciel sorteou bônus no Senado, dizem servidores

A abertura da caixa-preta da gráfica do Senado revela que gratificações teriam sido sorteadas pelo ex-diretor-geral Agaciel Maia entre os funcionários. O sorteio beneficiou nos últimos anos servidores com FC-6 e FC-7, funções comissionadas que variam de R$ 1,3 mil a R$ 1,8 mil mensais.

Agência Estado |

A denúncia foi feita por chefes de serviço da gráfica numa reunião na sexta-feira e deve ser investigada internamente a partir de hoje.

Segundo servidores, Agaciel não só decidiu transformar a concessão do bônus num jogo, como acompanhava pessoalmente esse método de distribuição. Um dos sorteios ocorreu no antigo auditório da gráfica, onde funciona hoje a seção de edição em braille. Com um saco na mão e os números de matrícula dos servidores dentro dele, assessores de Agaciel sorteavam os beneficiados. Durante a festa, quem era sorteado recebia aplausos dos demais colegas. O sorteio, conhecido pelo nome de “mão no saco”, era um “espetáculo”, contam servidores. Até hoje essas pessoas recebem o dinheiro extra no salário.

O presidente do Sindicato dos Servidores Legislativos (Sindilegis), Magno Mello, confirma que a prática é conhecida no Senado. “É uma história que já me foi contada, dizem que é quente, mas eu não tenho nenhuma prova.” Na época, Agaciel teria argumentado aos servidores que recebia muita pressão para distribuir esses bônus. Em vez de optar pelo critério de merecimento, ele decidiu então sortear o benefício para evitar reclamações. A iniciativa, no entanto, criou um problema interno de hierarquia: alguns funcionários sortudos passaram a receber uma gratificação maior do que a do próprio chefe.

Agaciel deixou o cargo em março após a suspeita de ter ocultado a propriedade da residência onde mora em Brasília. Ele chegou à diretoria-geral pelas mãos do presidente José Sarney (PMDB-AP) em 1995. Agaciel está de licença para se defender de um processo administrativo. A reportagem tentou entrar em contato com ele ontem. Um recado foi deixado em seu telefone celular, mas o ex-diretor não retornou a ligação. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo .

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