Agaciel merece ser preso e tinha apoio de senadores, diz Arthur Virgílio

BRASÍLIA - O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), fez um pronunciamento nesta tarde no plenário do Senado e pediu a demissão a bem do serviço público do ex-diretor-geral do Senado Agaciel Maia e do ex-diretor de Recursos Humanos João Carlos Zoghbi. Ele alega que os dois fazem parte de uma quadrilha que se instalou no Senado, mas que só prosperou devido ao apoio de senadores.

Severino Motta, repórter em Brasília |


Agaciel chegou como humilde funcionário e serviu a um grupo de senadores. Eu duvido que o senhor Agaciel tenha praticado os crimes sozinho. Tenho convicção clara que tem senador por trás dele, disse Virgílio que num ato falho chamou Agaciel de senador antes de senhor.

Virgílio atribuiu ao servidor uma rede de chantagens contra os senadores. De acordo com ele, antes de deixar a diretoria-geral da Casa ele teria levado pen-drives com informações sobre as viagens dos parlamentares e iniciado um processo de chantagens. Ele suspeita que até mesmo atos que deveriam ser publicados podem ter se tornado secretos para dar mais poder a Agaciel.

Agência Senado
Arthur Virgílio fala sobre a crise do Senado
O Agaciel, que é mestrado e doutorado em chantagem, pode ter colocado como secreto ato que não era, até para acumular poder, disse. Ele merece ser preso, preso e demitido, completou.

Virgílio ainda disse que nunca aceitaria chantagens e que a última tentativa de Agaciel nesse sentido se deu ao divulgar informações de uma suposta ajuda financeira do Senado ao tucano quando este se encontrava no exterior com seu cartão bloqueado.

Outros senadores

O senador João Pedro (PT-AM) disse que o Senado não pode ficar refém de chantagens. Não podemos ficar emparedados. O Senado não pode fica à mercê de grupos, disse o petista.

O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) disse que foi alvo de chantagem para intimidá-lo. Segundo ele, na sexta -feira foi distribuído na internet um email apócrifo, que informava que sua esposa teria ocupado um cargo na liderança do PDT no Senado. Buarque foi um dos senadores responsáveis pela elaboração de um documento propondo uma reforma administrativa do Senado, na semana passada, que sugeria, entre outros pontos, a demissão de toda a diretoria atual do Senado.

O pedetista defendeu-se hoje dizendo que sua esposa nunca recebeu pelo Senado. Quero dizer que, realmente, suspeito de que houve intenção, na sexta -feira da semana passada, de jogar suspeitas sobre mim desta vez, disse Buarque. Ele explicou que sua esposa trabalha há 26 anos na Câmara dos Deputados e foi requisitada pelo senador Jefferson Péres, já falecido, para a liderança do PDT. No entanto, argumentou, quando ela soube que teria que receber uma gratificação para ir para o Senado, desistiu.

Nestes seis anos [ em que está no Senado ], ela não deve ter ido cinco ou seis vezes em meu gabinete. Mas ela trabalha, há 26 anos e quatro meses, na Câmara dos Deputados. Durante estes dez mil dias ela esteve para ficar à disposição da Liderança do PDT [ no Senado ]. Mas, ao saber que, para ficar ali, tinha mudado a regra nas relações Senado-Câmara, e seria preciso ocupar um cargo e ganhar uma gratificação, ela disse: estou de volta à Câmara antes de receber um único real do Senado, explicou.

Buarque afirmou que o email informava apenas o pedido de nomeação e não o de devolução da sua esposa à Câmara. Para ele, esse gesto tem que ser respondido de forma dura. Quero dizer que esse tipo de coisa termina obrigando a gente a radicalizar, porque começa a dar a impressão de que quem não toma posições firmes tem 'rabo' preso. E quero dizer que não me sinto absolutamente com 'rabo' preso e, se houver, que seja dito e que seja punido igualzinho a qualquer outro que tenha também, ressaltou.

(com informações da Agência Brasil)

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