Agaciel Maia se diz injustiçado, mas não aponta culpados

BRASÍLIA ¿ O ex-diretor-geral do Senado, Agaciel Maia, voltou ao trabalho nesta quarta-feira no fim do expediente, após o afastamento de 90 dias, por licença prêmio, da Casa Legislativa. Maia irá ocupar o cargo de analista legislativo no Instituto Legislativo Brasileiro (ILB), setor responsável por cursos para servidores e parlamentares.

Camila Campanerut, repórter em Brasília |

Agência Brasil
Agaciel é consultor do Instituto Legislativo Brasileiro

Na avaliação do servidor, de tudo que foi denunciado contra ele, o único ponto ainda não resolvido foi o dos atos secretos. Qual foi o pecado do Agaciel? Nomeou filho? Nomeou irmão? Precisava, eu até precisava, mas não quis, se defendeu. 

Apesar de afirmar que não era responsável pela publicação, não disse quem seria.  Pode haver falhas e não ilegalidade, alega.

Questionado sobre quem seriam os responsáveis pela perda do cargo e massificação de informações negativas contra ele, Agaciel desconversa: percebi que estava desgastado porque a casa era monolítica, homogênea, com aquelas acusações contra Renan Calheiros. 

Agaciel Maia saiu do cargo após as denúncias de não declarar à Receita Federal uma mansão em Brasília, avaliada em cerca de R$ 4 milhões, que ele mostrou que havia comprovado na Receita Federal que tinha meios de obtê-la. Com o anúncio dos atos secretos, Maia foi considerado como um dos responsáveis pela não publicação dos atos administrativos do Senado.  Além disso, foi dito como articulador para encontrar vagas para parentes de parlamentares em gabinetes.

Após 33 anos de Casa, Agaciel Maia irá atuar no setor acadêmico, produzindo um dicionário com informações sobre todos os senadores que passaram pelo Congresso desde 1826. Vou ficar atuando nesta atividade acadêmica, não tenho que ficar atrás de uma mesa o dia todo justificou pelo horário que chegou ao novo local de trabalho.

Maia confidenciou que não pretende se aposentar tão cedo, já que poderia fazê-lo ao completar 35 anos de serviços prestados, e que não sente que enfrentará um clima de resistência contra ele. Nunca fui hostilizado em lugar nenhum. Não fiz nada de ilegal, afirma.

Relação com Sarney

Agaciel Maia afirmou conhecer o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), há mais de 30 anos. Sarney foi, inclusive, padrinho de casamento da filha dele, justamente na época, em que foram divulgadas na imprensa gravações em que apontariam o ex-diretor geral como a pessoa a quem recorrer para conseguir cargos no Senado.

Lembrar de toda essa gama de informação, não só do presidente como dos senadores, ficou humanamente impossível de lembrar. Um diretor assina cerca de cinco mil atos por ano, uns 70 mil em 14 anos, disse. Nunca recebi ordens ilegais nem dei ordens ilegais, completa.

Maia disse não lembrar de nenhum pedido do filho de Sarney nem do próprio senador pelo Amapá para arranjar alguma vaga na Casa.  Ele nunca me pediu. Não lembro de ele ter falado comigo, aponta.

Nunca recebi pressão nenhuma. O que existe é que qualquer diretor geral, se existem os cargos comissionados e tem vaga, não tem porque pressionar, explica, porque, consequentemente, ele assinava a aprovação do pedido.

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