Afastamento não é sequer analisado, diz porta-voz de Sarney

BRASÍLIA - O porta-voz do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), Chico Mendonça, disse nesta terça-feira que a hipótese do peemedebista se afastar do cargo não é sequer cogitada. De acordo com ele, também não existem pressões por parte da família para que o presidente deixe a cadeira.

Severino Motta, repórter em Brasília |

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    Não há pressão em cima do presidente, muito menos da família para que ele deixe o cargo. A decisão é pessoal e a hipótese de afastamento não está sequer em análise, limitou-se a dizer.

    Enquanto o porta-voz dava a breve declaração para a imprensa, Sarney deixou o plenário por uma porta mais afastada e segundo seus assessores foi para sua residência. Desde o inicio da crise Sarney tem evitado entrevistas com jornalistas e tem limitado sua participação nos eventos da Casa.

    Agência Senado
    presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP)
    O presidente do Senado, José Sarney
    Afastamento

    O PSol protocolou, nesta terça-feira, uma representação por quebra de decoro parlamentar contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e outra contra o ex-presidente da Casa Renan Calheiros (PMDB-AL). As peças pedem apuração no caso dos atos secretos, uma vez que Sarney teve pelo menos 15 parentes ou afilhados políticos beneficiados por decisões não publicadas no Boletim de Pessoal da Casa.

    O PSol entrou com representação contra Renan sob o argumento de que diversos atos secretos foram editados durante sua presidência. Apesar do ex-presidente Garibaldi Alves (PMDB-RN) também ter estado à frente do Senado durante o período das decisões não publicadas, o partido entende que - pelo curto espaço de tempo que chefiou o Senado - ele não teria responsabilidade no caso.

    O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), divulgou nesta tarde o resultado da reunião de seu partido e pediu que o presidente José Sarney (PMDB-AP) se licencie do cargo enquanto durem as investigações sobre os atos secretos da Casa e da participação de seu neto, José Adriano Sarney, em empresas que trabalhavam com crédito consignado para servidores.

    [O PSDB] Sugere, solicita, que Vossa Excelência medite e se afaste até que as investigações sejam concluídas, punidos os culpados e inocentados os inocentes, disse.

    Licença temporária

    Durante esta terça-feira, a bancada do DEM decidiu retirar o apoio ao presidente do Senado, senador José Sarney (PMDB-AP), e defender a licença temporária do presidente.

    Apesar de perder apoio do DEM, o senador continua com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Preocupado com a desestabilização do mandato de Sarney, Lula vem atuando para assegurar apoio dos partidos de esquerda ao aliado. Nesta segunda-feira, o ministro de Relações Institucionais do governo, José Múcio Monteiro, declarou que mesmo em meio às frequentes denúncias de irregularidades no Congresso, o parlamentar não deve deixar o posto.

    Já o líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp (TO), fez um apelo a seus pares para que, ao invés de pedir que o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), tire uma licença de 60 dias, ou enquanto durem as investigações dos atos secretos, que ele fique e nesse período prove sua inocência. De acordo com Raupp, exigir o afastamento é fazer um pré-julgamento.

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