Afastamento de Lacerda foi político, diz Félix

BRASÍLIA - O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência, general Jorge Félix, disse na CPI dos Grampos que o afastamento do diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Paulo Lacerda, foi político. O afastamento foi decisão política. Nós também fazemos parte da área política, mas foi decisão do presidente da República tomada em função da conjuntura. Não foi afastamento decisivo, mas provisório, até que o inquérito termine, disse.

Severino Motta - Último Segundo/Santafé Idéias |

Félix também destacou que a ação vai evitar constrangimentos, uma vez que a Polícia Federal não vai precisar fazer a investigação na Abin tendo seu antigo chefe no posto máximo do órgão.

"Lacerda, há menos de um ano atrás, era diretor-geral da PF, então, para evitar constrangimento de um delegado, encarregado pelo inquérito, estar ali junto com ele, foi uma das razões que levou [ao afastamento] para evitar constrangimento", explicou.

Félix foi novamente questionado, dessa vez pelo deputado Carlos Willian (PTC-MG), sobre a suposta participação do banqueiro Daniel Dantas no grampo entre o presidente do Supremo, ministro Gilmar Mendes e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), revelado pela revista "Veja" desta semana.

O general voltou a dizer que o assunto foi tratado numa reunião ocorrida ontem na presidência da República, mas, como ela ocorreu em caráter de sigilo, ele não revelaria detalhes.

Disse também que hipóteses como estas vão continuar a ser levantadas pelos investigadores e que ele não mais poderia fazer suposições pois,  poderia atrapalhar ou influenciar a apuração do episódio.

Lula não foi grampeado

Félix também disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não foi grampeado, em 2006, no Hotel Glória, no Rio de janeiro. Tal informação veio à tona em fevereiro desse ano, na CPI dos grampos, quando um operador da Telemar, que instalava linhas temporárias para Lula, fez a denúncia.

Félix também comentou, sem entrar em detalhes, que numa viagem ao exterior houve uma tentativa de grampear o presidente Lula, mas, após uma varredura padrão, a ação foi identificada e não obteve êxito.


Crise

A revista "Veja" desta semana trouxe matéria revelando um telefonema grampeado entre o presidente do Supremo, ministro Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). De acordo com a publicação, a Abin foi a responsável pelos grampos, que também atingiram outros senadores e ministros da República.

A crise fez com que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afastasse temporariamente o diretor-geral da Abin, Paulo Lacerda, e seu diretor-adjunto, Milton Campana. Um inquérito foi aberto na Polícia Federal para apurar o caso.

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