Afastadas prefeita e vice, cidade fica sem governo em AL

A administração do município de Matriz do Camaragibe, no Litoral Norte de Alagoas e a 77 quilômetros de Maceió, está sem comando desde quinta-feira, quando a prefeita Josedalva dos Santos Lima, conhecida por Doda Cavalcante, e sua vice-prefeita, Denise Araújo Gonzaga, foram afastadas dos cargos por determinação do desembargador Estácio Luiz Gama de Lima, do Tribunal de Justiça de Alagoas, atendendo a pedido feito pelo Ministério Público Estadual. Na vaga delas, por determinação do desembargador, deveria ter assumido em 24 horas - até sexta-feira passada - o presidente da Câmara Municipal de Matriz, Gesiel Evangelista, ou o primeiro-vice-presidente, José Livino da Silva Filho.

Agência Estado |

No entanto, os dois vereadores renunciaram aos cargos para não assumir a prefeitura e, com isso, evitar a inelegibilidade .Segundo o promotor de Justiça da Comarca, Adriano Jorge Correia, até o primeiro tesoureiro do Legislativo municipal renunciou ao cargo, para não assumir a prefeitura.

Segundo o promotor, o MP Estadual apura se por trás da renúncia em massa não estaria um boicote à decisão da Justiça de afastar Doda Cavalcante, que é casada com o ex-prefeito de Matriz e atual prefeito de São Luiz do Quitunde, Cícero Cavalcante. Conhecido como "Ciço das Cachorras", Cavalcante foi preso e indiciado pela Polícia Federal na Operação Gabiru, que apurou o desvio de recursos federais destinados à compra da merenda escolar para alunos de escolas públicas. Os vereadores que renunciaram são ligados a Cavalcante.

De acordo com o promotor, Doda Cavalcante e sua vice-prefeita foram eleitas indiretamente, em abril deste ano. Por trás da eleição estaria uma jogada eleitoral de Cícero Cavalcante para continuar no poder nos dois municípios vizinhos: São Luiz - onde é candidato à reeleição - e Matriz, que tinha como prefeito um aliado seu, Marcos Paulo - Marquinhos, também indiciado pela PF na Operação Gabiru.

Administração temporária

Como Marcos Paulo e o vice-prefeito Epson Pereira de Souza renunciaram aos cargos em março deste ano, a Câmara de Matriz tomou a iniciativa de convocar uma eleição indireta, já que o presidente e o vice-presidente da Casa não tinham - já naquela ocasião - interesse em assumir a prefeitura. "No entanto, todo o processo de escolha da prefeita-tampão foi feito ao arrepio da lei. Por isso, o Ministério Público pediu a anulação do pleito indireto, não obtendo êxito na primeira instância, mas conseguindo em grau de recurso, por determinação do desembargador Estácio Gama", explicou o promotor.

"Como nenhum vereador quer assumir a prefeitura, caberá à Justiça pedir a nomeação de um administrador temporário, que deverá assumir o comando do município pelo prazo de 30 dias, até que a Câmara Municipal realize uma nova eleição indireta para a escolha de um prefeito-tampão. Este administrador deverá ser escolhido pelo governador do Estado entre os nomes de três moradores do município selecionados pela Assembléia Legislativa do Estado", explicou o promotor.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG