Aeroportos do País sofrem com protesto no terminal Santos Dumont

Cerca de 50 pessoas tentavam fechar os acessos ao aeroporto, hoje pela manhã

iG São Paulo |

Mesmo com a greve dos aeronautas e aeroviários anunciada para a próxima quinta-feira (23), os aeroportos brasileiros enfrentam problemas nesta quarta-feira, em reflexo dos protestos realizados, por aeroviários, no terminal Santos Dumont. Por volta das 5 horas, cerca de 50 pessoas estavam nos acessos do aeroporto para impedir que os funcionários trabalhassem. Policiais do 13º Batalhão de Polícia foram chamados para conter a manifestação, que terminou por volta das 8 horas.

Segundo a Empresa Brasileira Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), no período do protesto, dos 44 voos programados, oito foram cancelados e quatro registraram atraso superior a 30 minutos. O maior problema aconteceu em um voo da Webjet com destino Guarulhos, em São Paulo, por motivos operacionais. Os passageiros foram acomodados em um avião da Gol. A Infraero também informou que vai programar um reforço de segurança em todo o aeroporto, na quinta-feira.

Segundo a presidente do Sindicato Nacional dos Aeroviários (SNA) Selma Balbino, os funcionários estão revoltados com a decisão das empresas em reajustar os salários da classe em 13%. “Não está fácil conter a revolta da categoria. Faremos outras paralisações durante esta quarta-feira”, informou.

Selma Balbino ainda afirmou que não teme a revolta dos passageiros que forem prejudicados com a paralisação. “A população que culpe o sindicato patronal”. Opinião diferente do sentimento encontrado no terminal.

A advogada Adriana Lopes Bocaiúva, de 34 anos, tinha um voo programado para São Paulo às 7 horas, no Aeroporto Santos Dumont, mas até as 7h40 ela não havia conseguido embarcar. Ela iria viajar a trabalho e pretendia voltar ainda hoje para o Rio. “É um absurdo. O que a população tem a ver com isso? Promover um protesto desses próximo do Natal é inconcebível. Alguém tem que fazer alguma coisa. Isso vai ficar um caos amanhã”.

AE
Aeroviários impedem passagem de funcionários no aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro

Por volta das 12 horas, o País registrava 27,8% de seus voos atrasados, sendo que 315, dos 1135, não cumpriram os horários agendados entre a meia-noite e aquele momento, segundo informações da Infraero.

No aeroporto Santos Dumont, das 64 partidas programadas, 13 foram canceladas, representando 20,3% do total, enquanto outras dez partidas registravam problemas com atraso (15,6%). Já no terminal Internacional Tom Jobim, na Ilha do Governador, não há registro de cancelamentos, porém, dos 57 voos agendados entre a meia-noite e as 12 horas, 19 estavam atrasados, equivalente a 33,3%.

Em Cumbica, na cidade de Guarulhos (SP), às 12 horas, a situação também estava complicada no início desta quarta-feira, com 46,7% de atrasos, com 42, das 90 operações, fora do horário. Em Congonhas, 20,2% dos voos programados no período sofreram atrasos, enquanto outros 13 foram cancelados.

Naquele momento, a Tam era a companhia com maior número de atrasos, com um índice de 45,1% em seus voos. Das 370 operações, 167 partiram fora do horário. A Gol figura em segundo lugar, com taxa de 25,9%, tendo 94, dos 363 voos, atrasados. Já a Webjet apresentava problemas em 21,8% das atividades.

Voos Internacionais

A situação nos aeroportos internacionais brasileiros voltou a ficar pior que o pico da crise com operações para fora do País (quando 25% de problemas), em reflexo aos problemas enfrentados na Europa, por conta da forte nevasca que atinge o Continente . Nesta quarta-feira, os terminais internacionais do País registram 29,2%. Das 72 atividades previstas, 21 não partiram no horário.

Greve

O fracasso nas negociações com as empresas aéreas, em reunião que ocorreu na terça-feira, em Brasília com intermediação do Ministério Público do Trabalho, fez com que aeroviários e aeronautas mantivessem a data de início da greve das duas categorias a antevéspera de Natal. A greve deve acontecer por conta de um impasse salarial, no qual as empresas não aceitam o reajuste de 15% nos salários dos aeronautas e 13% para os aeroviários. As empresas - representadas pelo Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea) - não querem avançar além do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), de 6,08%, acumulado dos últimos 12 meses (até novembro).

*Com reportagem de Anderson Ramos, iG Rio de Janeiro

    Leia tudo sobre: aeroportosatrasosgreverio de janeiro

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG