O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), cobrou hoje o fim das especulações sobre uma possível desistência do colega paulista, José Serra, de concorrer à Presidência da República como candidato tucano. Aécio também criticou a aflição de correligionários e aliados da oposição com a demora do governador paulista em assumir a candidatura.

E voltou a prometer empenho na campanha de Serra em Minas, "provavelmente" como candidato ao Senado.

"É preciso que paremos de uma vez por todas com essas especulações de que é possível haver uma mudança, uma alteração (do presidenciável tucano). O momento é dele, temos um extraordinário candidato chamado José Serra e caberá a mim apoiá-lo", afirmou, durante visita às obras do Hospital Municipal de Uberlândia, no Triângulo Mineiro. Aécio renunciou em dezembro à disputa interna pela indicação do PSDB, deixando o caminho livre para Serra.

Com o crescimento da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, nas pesquisas de intenção de voto, como mostrou o último levantamento do Datafolha - na qual Serra aparece apenas quatro pontos porcentuais à frente da pré-candidata petista -, a hipótese de desistência do governador de São Paulo voltou a circular entre os tucanos aecistas. Na semana passada, durante a festa de inauguração do centro administrativo de Minas, Serra sofreu o constrangimento de ouvir o coro de "Aécio presidente".

Publicamente, o governador mineiro tem repetido, porém, que não acredita que o colega paulista poderá abdicar da candidatura presidencial, optando por disputar mais um mandato no Palácio dos Bandeirantes. Ao mesmo tempo, rechaça a ideia de compor como vice numa chapa puro-sangue tucana.

Em Uberlândia, Aécio foi questionado sobre declarações do presidente do PSDB paulista, deputado federal Mendes Thame, e se o PSDB estaria perdendo tempo e terreno na disputa presidencial com a estratégia de Serra. "Não acredito. Não tenho essa aflição que vejo em muitas figuras hoje, não apenas do meu partido, mas que nos apoiam", disse o mineiro.

O governador de São Paulo programou anunciar a candidatura somente no prazo limite para a desincompatibilização, no fim de março ou início de abril. Para Aécio, a disputa pelo Palácio do Planalto "está longe ainda de ter ainda o seu ápice". "A campanha está longe ainda do debate. E acredito firmemente que, no momento em que houver o debate entre os candidatos, o governador de São Paulo, José Serra, tem todas as condições de enfrentá-lo e, pela sua história de vida, tem todas as condições de vencer essas eleições".

Papel

Apesar de reafirmar a disposição de concorrer ao Senado, o governador mineiro, mais uma vez, não foi categórico. "Temos um período para oficializar candidaturas, mas o meu sentimento é de que o papel melhor que eu possa cumprir, para dar continuidade a esse projeto extremamente exitoso de governo que está ocorrendo em Minas Gerais, é estar aqui, provavelmente como candidato ao Senado, ao lado do vice-governador Antonio Anastasia", afirmou, se referindo ao candidato do PSDB à sua sucessão.

"Daqui de Minas Gerais vou emprestar todo meu apoio e a nossa força política para o candidato do meu partido que, provavelmente, será o governador José Serra. Mas cabe a ele anunciar no momento que achar mais adequado", ressaltou.

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