RIO DE JANEIRO (Reuters) - O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), disse nesta segunda-feira que não pretende voltar atrás na desistência de concorrer à sucessão presidencial e que vai disputar o Senado, em meio a especulações de que poderá ocupar a vice em uma chapa liderada pelo governador de São Paulo, José Serra. Não avançamos muito nisso (chapa pura). Em Minas e a partir de Minas é onde eu tenho melhores condições de dar a vitória ao nosso candidato ao governo do Estado e buscar também as eleições no plano federal, disse Aécio a jornalistas.

O governador esteve no Rio para encontro com o presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ) quando discutiram a montagem das coligações regionais e a formação de palanques para a candidatura nacional de oposição.

"Estou à disposição do partido no Rio, e onde o partido achar que eu possa ajudar, mesmo sendo candidato ao Senado por Minas, que é o caminho que se apresenta mais natural para mim", afirmou o governador mineiro.

Serra não pode prescindir do apoio de Aécio uma vez que, depois de São Paulo, Minas é o segundo colégio eleitoral do país.

O governador mineiro disse ainda que pretende estimular o pré-candidato à Presidência a ir a campo para fortalecer sua candidatura.

Mesmo antes de anunciar sua decisão sobre a postulação presidencial, o que só deve ocorrer em abril, Serra vem interferindo na formação de coligações estaduais, como no Rio de Janeiro, em torno do deputado Fernando Gabeira (PV). A coligação para o governo estadual reuniria PSDB, DEM, PPS e PV, mas ainda faltam acertos.

Um dos entraves está na resistência do presidente do PV estadual, vereador Alfredo Sirkis, ao nome do ex-prefeito Cesar Maia, que pretende concorrer ao Senado pelo DEM. Sirkis foi secretário da equipe de Maia no município.

Rodrigo Maia acredita que esta questão será superada porque o PV nacional está disposto a se reunir à coligação e confia que a decisão saia após o Carnaval.

Consultado sobre ter Gabeira como seu potencial adversário, o governador do Rio, Sergio Cabral (PMDB), candidato à reeleição, desconversou.

"Eu não escolho adversários, eu escolho aliados", disse Cabral, líder das pesquisas de intenção de votos.

AÉCIO E LULA

Ao contrário do hábito, Aécio não receberá o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) na terça-feira em Minas Gerais, onde cumprem agenda de inaugurações.

Sem dar detalhes, o governador disse que seus compromissos não permitirão o encontro.

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier e Denise Lula; Edição de Carmen Munari)

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