BRASÍLIA (Reuters) - O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), aposta em um entendimento no racha do partido na Câmara dos Deputados em que a ala ligada ao governador paulista José Serra questiona a reeleição do líder José Aníbal. Para o governador mineiro, a ala dissidente tem direito e legitimidade de discordar da decisão da maioria. Aécio prega que o entendimento deve ser construído pelos próprios deputados, por meio do diálogo e nega ter exercido influência na reeleição de Aníbal.

"Acompanhei isso à distância. Essa é uma questão exclusiva da Câmara dos Deputados. O que eu percebi é que houve uma maioria a favor da permanência de José Aníbal, que mostrou-se um líder extremamente efetivo", disse Aécio a jornalistas nesta sexta-feira.

"Mas o PSDB sempre, nos momentos fundamentais, demonstrou capacidade de superar divergências menores em favor de um projeto maior. O PSDB tem um projeto nacional e isso passa pela nossa unidade não apenas nas eleições. Passa pela nossa unidade de ação no Congresso Nacional que é a grande caixa de ressonância das ações e posições do partido", completou.

Ele espera que a partir da próxima semana a divergência seja solucionada. "Na política, tudo se resolve na conversa."

O governador tentou minimizar a divergência. "Não me parece algo grave, porque são homens de bem de ambos os lados, que tiveram uma divergência pontual, mas sabem que são todos parte de um projeto muito maior."

A disputa está sendo vista como obra de duas alas do partido, que opõem Serra e Aécio pelo controle da bancada tucana. O domínio dos deputados é importante para o projeto de cada um de se apresentar como candidato à sucessão presidencial.

A crise eclodiu na última quarta-feira, quando o líder do PSDB na Casa, José Aníbal, reelegeu-se com o apoio da maioria (36 votos de uma bancada de 58). Sua vitória, no entanto, foi questionada por 19 deputados que acusaram Aníbal de agir de forma antidemocrática e dar um golpe no estatuto da legenda para viabilizar sua reeleição consecutiva.

O grupo dissidente quer rever a reeleição e ameaça ficar independente das decisões do restante da bancada. O presidente da legenda, senador Sérgio Guerra (PE), afirmou que vai intervir na disputa na próxima semana.

PRÉVIAS

Forte defensor da realização de prévias para a escolha do nome que disputará pelo partido a Presidência em 2010, Aécio criticou as decisões de cúpula do PSDB.

"Se essa unidade vem da manifestação das bases ela é muito mais sólida do que uma unidade forjada eventualmente por meia dúzia de lideranças", afirmou.

O governador, que ainda encontra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta tarde, foi a Brasília participar da assinatura de acordo entre o governo de Minas e a USTDA, agência de comércio e desenvolvimento dos EUA, para financiamento de estudo para expansão do aeroporto de Confins, no valor de 573 mil dólares.

(Reportagem de Fernando Exman)

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